O que foi que Kayke disse demais?

O torcedor do ABC está indignado com o goleador Kayke.

Em entrevista, o agora ex-ídolo da Frasqueira disse que quando assinou contrato com alvinegro teve medo por sua carreira, por se tratar de um clube de menor expressão no cenário nacional.

Foi o suficiente para Kayke, hoje vestindo a camisa do Flamengo, clube que o revelou, cair em desgraça entre a turma da cartilha.

Exagero, gente.

Kayke não disse nada demais. Falou só a verdade, não mais que a verdade.

O ABC é, sim, um clube de pouca expressão no País. As dezenas de títulos estaduais, boa parte no tempo de terra batida, não servem de referência no cenário nacional.

Não servem mesmo. Paciência.

Claro que é compreensível a irritação dos mais apaixonadas, dada a passionalidade que permeia o ambiente futebolístico, no entanto, nem Kayke é um vilão, muito menos o ABC é maior ou menor que as suas palavras.

Agora, seria interessante que o torcedor olhasse para a situação em que o seu clube se encontra.

Rebaixado para a Série C do Brasileiro e envolvido numa briga – de interesses individuais –  pela sua presidência, o alvinegro precisa encontrar solução para trilhar o caminho do sucesso. E, quem sabe, ganhar fama no cenário nacional.

Está longe disso, reconheça-se.

Por gravidade, o futebol potiguar desce a ladeira, também puxado pelo América, que vai para o segundo ano consecutivo na terceirona.

E se fizer a travessia da BR-304, encontrará o falido futebol mossoroense, com Potiguar e Baraúnas mais amadores do que nunca, se arrastando para não fechar as portas.

Aliás, fechar as portas talvez, e provavelmente, seja a melhor solução para dupla Potiba.

Fecha, depois volta, se tiver condições. O que não dá é para continuar como estão, vivendo de pires nas mãos, no pior retrato de futebol amador.

Falar nisso, como Potiguar e Baraúnas vão disputar o Estadual 2016?

Quem vai contratar?

Quem vai pagar a conta?

Não me diga que é a Prefeitura de Mossoró, que está quebrada igual arroz de terceira.

Futebol de caras velhas

O ano novo do futebol mossoroense será com “caras velhas”.

Benjamin Machado, presidente do Potiguar; Josirene Ribeiro, presidente do Baraúnas.

Quais são os projetos deles para a temporada?

– Disputar o Campeonato Estadual.

E os planos?

– Nenhum.

A ideia que passa, e parece verdade, é que Benjamim e Josirene ficaram com as presidências de Potiguar e Baraúnas por completa falta de opção. Tipo: se não tem ninguém, vão eles mesmos.

Infelizmente, foi isso que ocorreu.

Não vai daqui críticas a Benjamin ou Josirene. São abnegados ou, como diria o geraldino, “vítimas” do futebol mossoroense.

Benjamin, de melhor sorte, espera ter o apoio do ex-presidente Jorge Rosário, e de outros empresários da cidade. Se isso ocorrer, vai pelo menos respirar.

Josirene, a “prima pobre” da situação, fará o que sabe fazer de melhor: bater à porta de torcedores tricolores com pires nas mãos. Um quilo de feijão ou de arroz; um saco de farinha, uma penca de banana ou fardo de macarrão, será rogado pela leoa.

É pra chorar?

– É.

Agora, nove fora a elogiável abnegação de Josirene Ribeiro, não se faz, nem se admite, futebol dessa natureza.

Melhor fechar as portas do que ficar brincando de fazer futebol.

E não cabe, sequer, o sentimento passional de ter um time numa competição profissional sem um mínimo de profissionalismo.

Hoje, infelizmente, Potiguar e Baraúnas são clubes amadores e, muito provavelmente, mais desorganizados do que algumas agremiações de competições suburbanas.

É assim que a dupla Potiba sobrevive.

Só o futebol explica.

Mas, uma pergunta não pode deixar de ser feita: de onde Potiguar e Baraúnas vão tirar dinheiro para contratar jogadores, pagar os seus salários, encargos sociais, alimentação e as despesas do deficitário Campeonato Estadual?

Se a resposta for: Prefeitura de Mossoró, não vale.

O cofre municipal também  está quebrado.

Futebol de terceira

O América de Natal não voltará à Série B em 2016.

O sonho acabou no domingo (27), apesar de ter goleado o Botafogo da Paraíba por 4 a 1, na Arena das Dunas.

Ficou a dois pontos do quarto colocado do Grupo A, o Confiança de Sergipe, que somou 21 pontos contra 19.

Uma pena. Para o futebol do Rio Grande do Norte, admita-se.

O Estado ficará sem representante na segunda classe do futebol brasileiro, apesar de ter uma das arenas foi charmosas do País e um torcedor inegavelmente apaixonado.

É que o ABC vem deixando de estudar a cartilha simples do futebol e está praticamente rebaixado para a terceirona.

Parece até que ficou com saudade do rival América. Os dois vão se abraçar na Série C em 2016.

A queda, que é muito ruim, diga-se, quem sabe não oferecerá algum fio de esperança para o sofrível futebol potiguar.

Sim.

É no momento da dor que a reflexão aflora.

Dirigentes de América e ABC terão a oportunidade de reavaliarem a forma como eles fazem, ou tentam fazer futebol nesse chão rachado pela seca prolongada que castiga os conterrâneos de Poti.

Errar, não dá mais.

Ou, pelo menos, evitar erros amadores e grosseiros, vistos até aqui, e que estão condenado os dois principais clubes potiguares ao rebaixamento de classe.

Por gravidade, quem sabe, Mossoró não se mete na onda da mudança.

Potiguar e Baraúnas, digo, dirigentes da dupla Potiguar, poderiam buscar melhor termo para o futebol da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte.

Chega de amadorismo.

Ou chega de Potiguar e Baraúnas, se não há outra saída, ou uma saída decente.

Não se permite mais fazer futebol por paixão, por amor a camisa, ou coisa parecida.

Esse sentimento cabe ao torcedor. E só.

Aos cartolas, cabe unicamente o trabalho competente para fazer crescer o esporte que mais fatura no planeta.

Aqui não é diferente.

Que tal, então, dá um tempo no manjado Campeonato Estadual para planejar e voltar forte no futuro próximo?

É a melhor saída.

Cai ou não cai?

Já são sete pontos que separam o ABC da primeira equipe fora da zona de rebaixamento no Brasileiro da Série B. O alvinegro natalense tem 22 pontos, na vice-lanterna, contra 29 do 16º colocado Atlético Goianiense.

Pode-se dizer que o ABC já caiu? Não.

Mas, pode-se dizer que vai cair.

Essa afirmativa não é baseada apenas na pontuação e colocação de tabela, mas, principalmente no que o time tem feito em campo. O jejum de vitórias já ultrapassa uma dezena de jogos. Quando não perde, o ABC apenas empata.

Pior do que isso, é o futebol apresentado. Sofrível, sem oferecer esperança ao torcedor.

Foi assim na tarde de sábado, 12, na Arena das Dunas, quando não saiu do zero a zero com o desfalcado CRB, de Alagoas.

O ABC não teve força de reação, nem demonstrou algum apetite de vitória que fizesse o seu torcedor se animar ou esperar por dias melhores.

Para quem acompanha o ABC na Série B não tem medo de arriscar o palpite de rebaixamento da Série C.

É claro que existe a questão matemática, onde os mais apaixonados se agarram.

Também tem o histórico de recuperação em edições anteriores. Em 2014, por exemplo, o alvinegro sofreu até as últimas rodadas para se vê livre o fantasma. Repetiu 2013.

Não é regra, nem deve ser visto como tal.

E, se o “milagre” vai se repetir em 2015, ninguém, de bom senso, tem coragem de apostar.

Por que isso acontece com o ABC?

Simples.

A sua diretoria teima em apostar na fórmula que vem mantendo o ABC na Série B, mesmo se arrastando até as últimas rodas.

Aposta no risco.

Tem dado certo, apesar do sofrimento. Agora, um dia a casa cai. E parece que será agora em 2015.

A fórmula consiste em disputar o Campeonato Estadual do RN com elenco barato, para enfrentar a esqualidez de receita da competição, e em seguida contratar um novo elenco para a competição nacional, sacrificando o cofre já sofrível.

Daí, o time não constrói uma base para disputar a Série B, e cruza a competição tentando se ajustar.

Durante a travessia, a nau de letrinhas muda três ou quatro vezes de comandante, perdendo, de vez, qualquer identificação com o bom futebol.

Nesse ano, já são quatro técnicos, e nenhum com resultado satisfatório capaz de evitar que a embarcação alvinegra desça a cachoeira.

É, mais ou menos, o que o América fez, até cair para a Série C.

Eurico Miranda empurra o Vasco para a Segundona

O Vasco vai cair.

Outra vez.

Será o terceiro rebaixamento à Série B em menos de uma década; muito, para um dos gigantes do futebol brasileiro.

O clube da Colina desce os degraus porque não aprendeu reerguer-se diante das duas quedas anteriores.

Não soube tirar proveito da Segundona, como fizeram Corínthians e Palmeiras, por exemplo.

Os dois clubes paulistas cresceram na adversidade, extraíram o melhor do amor de suas apaixonadas torcidas, transformando sofrimento em alegria, colhendo frutos (muito dinheiro) para recuperar os cofres e bancar projetos futuros.

Trata-se de gestão, competência gerencial.

Coisa que o Vasco não tem.

Ora, ora, ora…

Ao ressuscitar Eurico Miranda, o clube carioca tornou-se menor diante de um cartola superado pelo tempo, apodrecido num modelo ultrapassado de gerenciar futebol. Não se faz mais futebol com brigas tolas, polêmicas bizarras, rivalidades menores, como é o estilo de Eurico.

O episódio em que ele se negou a colocar o Vasco diante do Fluminense no Maracanã, por uma questão de localização de torcidas dentro do estádio, foi de um absurdo sem precedente. O Vasco, que era mandante do jogo, teve enorme prejuízo ao levar o clássico para o Engenhão. O número de pagantes não chegou aos 15 mil. Se tivesse sido no Maracanã, teria dobrado o público e oxigenado o caixa cruzmaltino.

A vaiada de Eurico continuou ao bater boca com jogadores adversários, jornalistas e dirigentes, sempre que o seu ego fosse desafiado por comentários ou atitudes que o fizessem se sentir menor.

Quanta tolice.

Enquanto isso, o Vasco foi ficando menor.

Eurico Miranda não conseguiu formar um bom elenco; não conseguiu oferecer condições de trabalho aos profissionais; não conseguiu passar confiança.

O resultado está aí.

A torcida do Vasco, que não cometeu nenhum pecado, vai pagar, com a decepção, por mais um rebaixamento.

Enquanto isso, Eurico, com a sua pose de charuto, vai tirando sarro da cara alheia com a “conquista” do “campeonato” contra o Flamengo.

Francamente…

O vício que agrada a poucos e que acaba com o Baraúnas

Quem é o presidente do Baraúnas?

Fiz a pergunta na redação do JORNAL DE FATO, para uma resposta tímida, quase inaudível:

– José Carlos de Brito.

E qual é a sua diretoria?

Silêncio.

E o que ele está fazendo para reerguer o Leão?

Silêncio.

Mas – insisti perguntando –, mesmo assim, o Baraúnas vai ao Estadual de 2016?

– Vai – alguém respondeu.

E qual o “milagre” para permitir o Baraúnas na temporada do próximo ano?

– O dinheiro público, da cota de patrocínio da Prefeitura de Mossoró.

Assim vive ou sobrevive o tricolor mossoroense.

Todos os anos, a mesma coisa. Sem dinheiro, sem estrutura, sem projeto, sem perspectiva. Mas, chega janeiro, alguns abnegados sobem as escadarias do Palácio da Resistência e exigem o dinheiro do Município.

Daí, vai para a disputa do Campeonato Estadual do Rio Grande do Norte por três meses e, em seguida, fecha as portas, para repetir o mesmo movimento na temporada seguinte.

Alguém gosta disso. O torcedor aceita, pela passionalidade própria do ambiente, não se permitindo enxergar que isso é um mal para o Baraúnas e para o futebol mossoroense.

Absurdo.

Está na hora de acabar com esse vício, alimentado por poucos, mas sustentado pela paixão de uma torcida. Não se pode permitir que um clube de futebol sobreviva do erário. A própria Prefeitura já deveria ter trancado o cofre, até porque distribuir dinheiro para clube de futebol pagar salário de jogadores não é legal.

A Prefeitura tem a obrigação, sim, de oferecer o apoio necessário para a prática esportiva. Por exemplo: ao invés de liberar 200 ou 300 mil reais para os clubes, deveria firmar convênios para estruturar centros de treinamento, fortalecer o trabalho de base para a formação de jogadores, aproveitando o talento dos jovens da cidade.

Isso é legal.

Portanto, que os homens de responsabilidade, tricolores ou não, determinem o “chega” nessa situação, para que o Baraúnas possa, de forma efetiva, encontrar o seu caminho, como a sua própria história conta, sem precisar bater à porta da Prefeitura com o pires nas mãos.

Está mais do que na hora de parar de brincar de futebol.

Futebol é coisa séria.

O 7×1 não foi tomado pelo Brasil como lição

O senador Romário Farias (PSB) postou um “bolo” nas redes sociais em “comemoração” ao aniversário de 1 ano da goleada de 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil. O ex-jogador, hoje político, brincou de forma séria com essa nódoa no futebol brasileiro.

Muito mais do que a chacota, comum ao ambiente do futebol, Romário quis chamar a atenção para o desprezo que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu ao desastre, agindo como se tivesse sido apenas uma “zebra” em campo.

Não foi.

As sete bolas nas redes do goleiro Júlio César, naquele 8 de julho de 2014, foi aviso mais duro de que o futebol brasileiro precisa ser revisto, de fora para dentro do campo.

Esse movimento é natural.

O resultado nas quatro linhas é fruto do que é feito fora delas. A gestão do nosso futebol, a partir da CBF, precisa ser modificada tão rápido quanto o ataque alemão naquela goleada. No entanto, é pouco provável que isso venha a ocorrer.

Os homens que conduzem a entidade máxima do futebol pentacampeão do mundo são influenciados pelo esquema João Havelange, iniciado na década de 70, que percorreu todo esse tempo pelas mãos de Ricardo Teixeira. Logo, não há interesse de mudança, haja vista que o mundo da bola é interessante para os negócios pessoais desse grupo.

Nem a prisão de José Maria Marin, que assumiu a CBF na Copa de 2014, com a renúncia de Teixeira, para não ser alcançado pela “CPI da bola”, mudou o quadro na entidade.

É só observar as atitudes e comportamentos. A convocação de Dunga para ser o chefe da comissão técnica, quando ele já havia dado provas de incompetência como treinador, inclusive na própria Seleção Brasileira, é a prova contundente de que a política na CBF está muito acima dos interesses do futebol.

Os problemas estouram por gravidade e se espalham com efeito dominó, contaminando da ponta de cima, formado pelos clubes de elite, até o andar de baixo, que são as agremiações pobres como Potiguar e Baraúnas de Mossoró.

É revoltante observar uma entidade milionária, com uma receita crescente, inclusive, superior a de todos os clubes da primeira divisão juntos, não cuidar do futebol como deveria.

A Série D é o mau exemplo dessa situação. Os clubes, chamados de primos pobres, disputam uma competição deficitária, sem nenhuma ajuda da CBF.

O resultado desse absurdo não se constata apenas dentro de campo, com um futebol de baixissimo nível técnico, mas fora dele com o problema social que é o desemprego de jogadores menos iluminados.

Infelizmente, a goleada da Alemanha não despertou o gigante de chuteiras.

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