Redescobrindo um velho conhecido

 

diego 3A aproximação do campeonato e a imaturidade do atual elenco, ainda forçam alguns dirigentes e colaboradores a pensarem em reforços no Baraúnas, para alguns setores. Mas a pretensão esbarra nas limitações financeiras do clube. A situação do meia Da Silva, por exemplo, que aparenta ainda estar distante de sua forma ideal, conspira a favor da contratação de mais um meia, pelo menos.

Há duas semanas, o Baraúnas jogou em Upanema, contra o selecionado local, e o técnico Givanildo Sales encantou-se com o meia adversário. Era Diego, que já teve uma boa passagem pelo Tricolor. Qualidades como toque de bola, visão de jogo e disciplina tática levaram o treinador a dizer que conversaria com a diretoria a seu respeito. Mas, como disse, com cofres vazios, qualquer aquisição implica em lançar mãos de recursos inexistentes. E o Baraúnas está na conta do chá. É para se entender, mas também para se preocupar. E me parece que não é só no meio que há lacunas no elenco tricolor. E sobre Diego, ele não é nenhum garoto e está distante de ser um gênio, mas é versátil, experiente, eficiente e para a posição, usando um termo do momento, tem precinho de Black Friday.

Campeonato Potiguar com oito times e dois rebaixamentos. É possível

Foto reprodução

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Com o Coríntians entregando carta de desistência do Estadual, será inevitável a implantação de uma nova tabela e uma nova fórmula.

Teremos um campeonato com oito clubes, número que pela conjuntura do futebol potiguar é, ao meu ver, ideal. Mais que isso, é só quantidade e nada mais.

Agora com oito times, o regulamento muda. E já que será alterado, é bom pensar em um realinhamento do Estadual para estancar a queda de qualidade técnica crescente que se observa a cada temporada e, consequente desinteresse do público.

Nessa linha de raciocínio, imagino algumas possibilidades.

Primeiro, com a desistência de Santa Cruz e Coríntians, que em tese só deveriam disputar a segunda divisão em 2017, os dois poderiam ser anistiados de alguma punição e teriam facultadas suas participações na divisão de acesso já do ano que vem.

Segundo, se poderia implantar um novo sistema com dois rebaixamentos, ao invés de um. Aumentaríamos, assim, as emoções na disputa da divisão principal. Por tabela, contagiaríamos também a segunda divisão, que deixaria de ser enfadonha e atrairia um número maior de participantes.

Já imaginou, a divisão de acesso de 2016, com Santa Cruz (Inharé), Coríntians de Caicó, Potyguar, Currais Novos, Mossoró, Santa Cruz (São Gonçalo), Força e Luz e Clube Atlético Potengi? O Estadual passaria a ter oito clubes na primeira e oito na segunda, com dois descensos e dois acessos, algo jamais visto.

Seria calendário mais extenso para o futebol e opção maior de emprego para os jogadores, que poderiam (caso não sejam contratados para disputarem o Brasileiro) mudar da primeira divisão, ao seu término, para a segunda, mantendo níveis técnicos semelhantes. Mas teria de haver alguma contrapartida da Federação, com algum incentivo financeiro, como ocorre em alguns estados. Para quem só arrecada, nada mais justo que dar sua parcela de contribuição. Acredito que será aí o grande problema.

Não sei o que fará a FNF, a partir de hoje, com a desistência do Coríntians. Mas não será por falta de opções que permitirá que o Estadual continue sendo desinteressante para muitos.

 

 

Convivendo com o passado

LUCÃO - SERGIPE

O clube criou a expectativa e o torcedor comprou a ideia. No fim, Lucão, anunciado pelo Baraúnas como referência para o time no ataque, acertou com o Luverdense-MT.

É verdade que não tem como concorrer com o poder financeiro do rival, mas não foi essencialmente para o clube matogro-ssense que o Baraúnas perdeu, e sim para sua lentidão em definir, algo que se pensava extinto no clube.

Lucão aguardou mais de uma semana por uma posição do Tricolor, que não chegou, fato revelado por seu empresário. Aí, leia-se posição como adiantamento salarial, ou luvas, termo mais tradicional.

A luva é um dispositivo de pouco uso na atualidade por aqui, mas reativado sempre que um atleta sente necessidade de garantias. É que a fama tricolor no mercado, como mau pagador, ainda ecoa. Isso penaliza a atual gestão, ainda tímida em termos de renovação. Vai suar, enfrentar ainda desconfianças, mas nada como uma sequência administrativa séria e comprometida, como aparenta se propor, para mudar a imagem e evitar que a antiga prática das luvas volte a ser rotina. Enquanto isso, vai precisar dormir menos para agir mais.

O recado na chegada

Nildo e Érico assinaram contrato e foram apresentados. (Foto: Fábio Oliveira/F9.net.br)

Nildo e Érico assinaram contrato e foram apresentados. (Foto: Fábio Oliveira/F9.net.br)

A sexta-feira (11) marcou a apresentação do elenco que representará o Baraúnas no Estadual 2016. Bem organizado e com boa participação de público, o evento revelou o quanto os jogadores com referência de bons serviços prestados ainda gozam de prestígio junto a torcida.

Apresentados um a um, os atletas eram aplaudidos pela apaixonada massa, porém dois se destacaram. O goleiro Érico, carinhosamente chamado pelos tricolores de “Paredão”, e o experiente e eficiente zagueiro Nildo, o “Xerife”, tiveram recepção tão calorosa quanto as chamadas contratações de peso, quando aqui desembarcam.

Os primeiros aplausos de uma torcida exigente, como a do Baraúnas, são naturais e servem de incentivo na chegada, mas continuar sendo aplaudido de forma efusiva, após anos de clube, não acontece por acaso. É preciso escrever uma boa história para que ela e seus protagonistas permaneçam vivos por gerações. O que os novatos viram e sentiram em sua chegada em relação aos mais experientes, foi como uma dica para um caminho de sucesso, dado por uma torcida apelidada de fiel e que ouvi bradar: “Querem ser lembrados? Joguem pela camisa e por nós”. É o que profissionais como Nildo e Érico sempre fizeram nesses longos anos de clube.

Eu não apostaria R$ 1 do meu suado dinheiro no licenciamento do Potiguar

Benjamim Machado, presidente do Potiguar. Foto: Marcelo Diaz/F9

Benjamim Machado, presidente do Potiguar. Foto: Marcelo Diaz/F9

O Potiguar tem insistido no discurso de que ainda não descartou desistência em participar do Estadual. Embora o intuito maior seja sensibilizar alguns colaboradores, hoje afastados, vejo como postura perigosa. Como convencer alguém a comprar um produto que o dono diz não ter certeza de entrega-lo? Investidores não gostam de jogar dinheiro fora e querem garantias. A tática foge a todos os manuais de marketing.

Não acredito no licenciamento do Potiguar e dou três justificativas: 1 – A Prefeitura garantiu patrocínio, que deverá ficar entre R$ 100 e 150 mil. Como se licenciar diante da garantia dessa receita? O rival, Baraúnas, deve torcer muito por isso, pois adoraria comer o bolo sozinho; 2 – O clube já anunciou que as novas camisas estarão à venda antes do Natal. Vai se licenciar do Estadual e esperar vender a camisa do ano em que o clube não jogou? Existe isso? Seria histórico; 3 – O ano de 2016 será eleitoral. Seu presidente, Benjamim Machado, ex-vereador, deve ser candidatado novamente e não vai querer pôr em sua conta, o débito de um licenciamento, quando a torcida espera exatamente o contrário. Pegaria mal para ele ser tachado de “o presidente que fechou o departamento de futebol do Potiguar”, justamente um clube de massa.

Por esses motivos, eu não perderia meu dinheiro apostando em um licenciamento. O Potiguar me parece hoje um rebelde sem causa.

Um talento que poderia ter sido mais utilizado

Foto: Marcelo Diaz

Foto: Marcelo Diaz

Com dificuldades financeiras e uma escassez de jogadores diferenciados no mercado, o Potiguar não segurou o meia Ciel, uma das revelações da base, que está indo por empréstimo de seus investidores para o Mirassol-SP.

É compreensível a busca por potencializar uma futura negociação e a vitrine que representa a Série A2 do Paulista, mas entendo que 2016 poderia ser o ano do atleta no futebol potiguar, devido ao potencial e evolução do jogador, e pela própria política que o clube adotou em relação aos jovens de seu elenco. Além disso, o campeonato potiguar já vem tendo uma boa visibilidade com a chegada do Esporte Interativo, com a transmissão de seus principais jogos para todo o Brasil, não devendo em nada, nesse aspecto, à segunda divisão paulista.

Com uma boa temporada, Ciel poderia ter seus direitos federativos dobrados ou triplicados. Ganhariam todos, inclusive o próprio clube, com a produtividade do jogador. Permanecer por pelo menos mais uma temporada no Potiguar, para ganhar maturidade, abriria melhor possibilidade de retorno aos investimentos feitos no atleta.

Quanto vale uma agressão?

briga vaninho x vavá
Já trouxe esse assunto outro dia e retorno hoje para ratificar meu pensamento.

Falo sobre a tal substituição da pena de suspensão no futebol, por prestação de serviços comunitários ou doação de cestas básicas. É o que deve ocorrer com Vavá, punido com 12 jogos, devido a confusão com Vaninho (que também está punido) no Potiba do ano passado.

Agora no Globo, Vavá pedirá a substituição da pena e, provavelmente, conseguirá, beneficiado pela lei. Mas essa não é uma questão de legalidade e sim de moralidade.

O que pagaram Renatinho Potiguar e Índio Oliveira, nas agressões a técnico Celso Teixeira, depois da final do estadual de 2013? Cestas básicas.

No que a coisa se transformou, imagino uma tabela estabelecida para cada tipo de agressão: se for verbal, dois quilos de farinha e um pote de manteiga; um soco vale dois quilos de feijão; soco com voadora, três pacotes macarrão e dois quilos de arroz; dedo no olho, uma lata de óleo e cinco quilos de açúcar.

A doação de cestas básicas não deveria nunca ser uma pena substitutiva, mas acumulativa à pena de suspensão. De outra forma, é um estímulo à reincidência. É assim que entendo.

Seca e crise tiram o Santa Cruz do Estadual

Sofrendo com a seca e crise financeira, a cidade de Santa Cruz ficará sem futebol em 2016. (Foto reprodução)

Sofrendo com a seca e crise financeira, a cidade de Santa Cruz ficará sem futebol em 2016. (Foto reprodução)

A notícia mais quente da semana foi o anúncio da desistência do Santa Cruz em disputar o Estadual de 2016. A seca que assola a região impede os cuidados básicos com o gramado do estádio Iberezão.

De acordo com o presidente de honra do clube, o deputado Tomba, o custo mensal com carros pipa para a irrigação do gramado, custaria algo em torno de R$ 30 mil, valor que o clube não dispõe. A Prefeitura de Santa Cruz, parceira do clube desde sua fundação, vive dificuldades e não poderá patrocinar o futebol este ano.

Sensato, Tomba disse que não poderá priorizar o estádio e o futebol se a própria população enfrente uma sede feroz. A entrega do documento de licenciamento é prometida para esta segunda-feira (16) à FNF.

A se confirmar a desistência, a primeira pergunta que surge é como ficará a composição do Estadual 2016? Com nove clubes ou a FNF convocará o vice-campeão da segunda divisão? Caso seja essa a saída válida, coincidentemente, será outro Santa Cruz, o de Natal, a ocupar a vaga do xará de Inharé.

Ciel, o fenômeno

Ciel treina e joga normalmente. Medicina diz que seria impossível. Foto: Marcelo Diaz)

Ciel treina e joga normalmente. Medicina diz que seria impossível. Foto: Marcelo Diaz)

O meia Ciel, 20, é um jogador de muita habilidade, diferenciado, com grande perspectiva de sucesso na carreira.

Caicoense, está no Potiguar desde 2014. Fazendo sucesso na base, logo foi promovido ao time profissional, sendo titular em pouco tempo. Sua performance rendeu transferência, por empréstimo, para o Al-Dhaid, dos Emirados Árabes, treinado por Miluir Macedo, ex-Potiguar, campeão estadual em 2004. Chegou e agradou de cara aos árabes.

Ocorre que, nos Emirdos, exames de rotina para assinatura de contrato apontaram rompimento total ou inexistência dos ligamentos, nos dois joelhos, e ele acabou devolvido. O Potiguar quis tirar a prova e realizou os mesmos exames. Os resultados foram exatamente os mesmos.

Pela gravidade do caso, Ciel não era nem para estar andando, quanto mais jogando. Mas ele continuava treinando e jogando, onde lança, faz gols e enche os olhos de todos com sua habilidade, sem nunca ter sentido uma única dor. É um fenômeno a ser estudado pela medicina. É uma ciência.

Quem não deve, não teme

Assembléia CBF 2015, posse do Presidente Marco Polo Del Nero e jantar dia 16 de abril de 2015. Foto: Rafael Ribeiro

Assembléia CBF 2015, posse do Presidente Marco Polo Del Nero e jantar dia 16 de abril de 2015.
Foto: Rafael Ribeiro

Na semana que passou, seis de sete presidentes de federações estaduais, que depuseram na CPI do Futebol no Senado, se negaram a assinar o termo de compromisso de falar somente a verdade, posição tomada após reunião com representantes da CBF e Federação Paulista. Alegaram que estavam ali como convidados e não testemunhas. Mesmo assim, garantem ter falado 100% de verdade. É estranho e cômico. Vou falar a verdade, mas não aceito assinar um documento através do qual me comprometo a fazer exatamente isso? Difícil acreditar. É a mesma coisa que afirmar não ter bebido, mas rejeitar o teste de bafômetro em uma blitz. Mas estamos lidando com dirigentes profissionais na arte do futebol e tudo que a ele está relacionado em termos de matreirice.

A linha entre a verdade e a mentira é tênue nesse jogo, sendo que os interesses mascaram o jeito podre de se conduzir o esporte, ao ponto de o que é errado ser praticado com tamanha naturalidade que se passa a acreditar que, na verdade, é tudo correto, e a verdade não passar de um mero detalhe.

Sobre o F9

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