O recado na chegada

Nildo e Érico assinaram contrato e foram apresentados. (Foto: Fábio Oliveira/F9.net.br)

Nildo e Érico assinaram contrato e foram apresentados. (Foto: Fábio Oliveira/F9.net.br)

A sexta-feira (11) marcou a apresentação do elenco que representará o Baraúnas no Estadual 2016. Bem organizado e com boa participação de público, o evento revelou o quanto os jogadores com referência de bons serviços prestados ainda gozam de prestígio junto a torcida.

Apresentados um a um, os atletas eram aplaudidos pela apaixonada massa, porém dois se destacaram. O goleiro Érico, carinhosamente chamado pelos tricolores de “Paredão”, e o experiente e eficiente zagueiro Nildo, o “Xerife”, tiveram recepção tão calorosa quanto as chamadas contratações de peso, quando aqui desembarcam.

Os primeiros aplausos de uma torcida exigente, como a do Baraúnas, são naturais e servem de incentivo na chegada, mas continuar sendo aplaudido de forma efusiva, após anos de clube, não acontece por acaso. É preciso escrever uma boa história para que ela e seus protagonistas permaneçam vivos por gerações. O que os novatos viram e sentiram em sua chegada em relação aos mais experientes, foi como uma dica para um caminho de sucesso, dado por uma torcida apelidada de fiel e que ouvi bradar: “Querem ser lembrados? Joguem pela camisa e por nós”. É o que profissionais como Nildo e Érico sempre fizeram nesses longos anos de clube.

Eu não apostaria R$ 1 do meu suado dinheiro no licenciamento do Potiguar

Benjamim Machado, presidente do Potiguar. Foto: Marcelo Diaz/F9

Benjamim Machado, presidente do Potiguar. Foto: Marcelo Diaz/F9

O Potiguar tem insistido no discurso de que ainda não descartou desistência em participar do Estadual. Embora o intuito maior seja sensibilizar alguns colaboradores, hoje afastados, vejo como postura perigosa. Como convencer alguém a comprar um produto que o dono diz não ter certeza de entrega-lo? Investidores não gostam de jogar dinheiro fora e querem garantias. A tática foge a todos os manuais de marketing.

Não acredito no licenciamento do Potiguar e dou três justificativas: 1 – A Prefeitura garantiu patrocínio, que deverá ficar entre R$ 100 e 150 mil. Como se licenciar diante da garantia dessa receita? O rival, Baraúnas, deve torcer muito por isso, pois adoraria comer o bolo sozinho; 2 – O clube já anunciou que as novas camisas estarão à venda antes do Natal. Vai se licenciar do Estadual e esperar vender a camisa do ano em que o clube não jogou? Existe isso? Seria histórico; 3 – O ano de 2016 será eleitoral. Seu presidente, Benjamim Machado, ex-vereador, deve ser candidatado novamente e não vai querer pôr em sua conta, o débito de um licenciamento, quando a torcida espera exatamente o contrário. Pegaria mal para ele ser tachado de “o presidente que fechou o departamento de futebol do Potiguar”, justamente um clube de massa.

Por esses motivos, eu não perderia meu dinheiro apostando em um licenciamento. O Potiguar me parece hoje um rebelde sem causa.

Um talento que poderia ter sido mais utilizado

Foto: Marcelo Diaz

Foto: Marcelo Diaz

Com dificuldades financeiras e uma escassez de jogadores diferenciados no mercado, o Potiguar não segurou o meia Ciel, uma das revelações da base, que está indo por empréstimo de seus investidores para o Mirassol-SP.

É compreensível a busca por potencializar uma futura negociação e a vitrine que representa a Série A2 do Paulista, mas entendo que 2016 poderia ser o ano do atleta no futebol potiguar, devido ao potencial e evolução do jogador, e pela própria política que o clube adotou em relação aos jovens de seu elenco. Além disso, o campeonato potiguar já vem tendo uma boa visibilidade com a chegada do Esporte Interativo, com a transmissão de seus principais jogos para todo o Brasil, não devendo em nada, nesse aspecto, à segunda divisão paulista.

Com uma boa temporada, Ciel poderia ter seus direitos federativos dobrados ou triplicados. Ganhariam todos, inclusive o próprio clube, com a produtividade do jogador. Permanecer por pelo menos mais uma temporada no Potiguar, para ganhar maturidade, abriria melhor possibilidade de retorno aos investimentos feitos no atleta.

Quanto vale uma agressão?

briga vaninho x vavá
Já trouxe esse assunto outro dia e retorno hoje para ratificar meu pensamento.

Falo sobre a tal substituição da pena de suspensão no futebol, por prestação de serviços comunitários ou doação de cestas básicas. É o que deve ocorrer com Vavá, punido com 12 jogos, devido a confusão com Vaninho (que também está punido) no Potiba do ano passado.

Agora no Globo, Vavá pedirá a substituição da pena e, provavelmente, conseguirá, beneficiado pela lei. Mas essa não é uma questão de legalidade e sim de moralidade.

O que pagaram Renatinho Potiguar e Índio Oliveira, nas agressões a técnico Celso Teixeira, depois da final do estadual de 2013? Cestas básicas.

No que a coisa se transformou, imagino uma tabela estabelecida para cada tipo de agressão: se for verbal, dois quilos de farinha e um pote de manteiga; um soco vale dois quilos de feijão; soco com voadora, três pacotes macarrão e dois quilos de arroz; dedo no olho, uma lata de óleo e cinco quilos de açúcar.

A doação de cestas básicas não deveria nunca ser uma pena substitutiva, mas acumulativa à pena de suspensão. De outra forma, é um estímulo à reincidência. É assim que entendo.

Seca e crise tiram o Santa Cruz do Estadual

Sofrendo com a seca e crise financeira, a cidade de Santa Cruz ficará sem futebol em 2016. (Foto reprodução)

Sofrendo com a seca e crise financeira, a cidade de Santa Cruz ficará sem futebol em 2016. (Foto reprodução)

A notícia mais quente da semana foi o anúncio da desistência do Santa Cruz em disputar o Estadual de 2016. A seca que assola a região impede os cuidados básicos com o gramado do estádio Iberezão.

De acordo com o presidente de honra do clube, o deputado Tomba, o custo mensal com carros pipa para a irrigação do gramado, custaria algo em torno de R$ 30 mil, valor que o clube não dispõe. A Prefeitura de Santa Cruz, parceira do clube desde sua fundação, vive dificuldades e não poderá patrocinar o futebol este ano.

Sensato, Tomba disse que não poderá priorizar o estádio e o futebol se a própria população enfrente uma sede feroz. A entrega do documento de licenciamento é prometida para esta segunda-feira (16) à FNF.

A se confirmar a desistência, a primeira pergunta que surge é como ficará a composição do Estadual 2016? Com nove clubes ou a FNF convocará o vice-campeão da segunda divisão? Caso seja essa a saída válida, coincidentemente, será outro Santa Cruz, o de Natal, a ocupar a vaga do xará de Inharé.

Ciel, o fenômeno

Ciel treina e joga normalmente. Medicina diz que seria impossível. Foto: Marcelo Diaz)

Ciel treina e joga normalmente. Medicina diz que seria impossível. Foto: Marcelo Diaz)

O meia Ciel, 20, é um jogador de muita habilidade, diferenciado, com grande perspectiva de sucesso na carreira.

Caicoense, está no Potiguar desde 2014. Fazendo sucesso na base, logo foi promovido ao time profissional, sendo titular em pouco tempo. Sua performance rendeu transferência, por empréstimo, para o Al-Dhaid, dos Emirados Árabes, treinado por Miluir Macedo, ex-Potiguar, campeão estadual em 2004. Chegou e agradou de cara aos árabes.

Ocorre que, nos Emirdos, exames de rotina para assinatura de contrato apontaram rompimento total ou inexistência dos ligamentos, nos dois joelhos, e ele acabou devolvido. O Potiguar quis tirar a prova e realizou os mesmos exames. Os resultados foram exatamente os mesmos.

Pela gravidade do caso, Ciel não era nem para estar andando, quanto mais jogando. Mas ele continuava treinando e jogando, onde lança, faz gols e enche os olhos de todos com sua habilidade, sem nunca ter sentido uma única dor. É um fenômeno a ser estudado pela medicina. É uma ciência.

Quem não deve, não teme

Assembléia CBF 2015, posse do Presidente Marco Polo Del Nero e jantar dia 16 de abril de 2015. Foto: Rafael Ribeiro

Assembléia CBF 2015, posse do Presidente Marco Polo Del Nero e jantar dia 16 de abril de 2015.
Foto: Rafael Ribeiro

Na semana que passou, seis de sete presidentes de federações estaduais, que depuseram na CPI do Futebol no Senado, se negaram a assinar o termo de compromisso de falar somente a verdade, posição tomada após reunião com representantes da CBF e Federação Paulista. Alegaram que estavam ali como convidados e não testemunhas. Mesmo assim, garantem ter falado 100% de verdade. É estranho e cômico. Vou falar a verdade, mas não aceito assinar um documento através do qual me comprometo a fazer exatamente isso? Difícil acreditar. É a mesma coisa que afirmar não ter bebido, mas rejeitar o teste de bafômetro em uma blitz. Mas estamos lidando com dirigentes profissionais na arte do futebol e tudo que a ele está relacionado em termos de matreirice.

A linha entre a verdade e a mentira é tênue nesse jogo, sendo que os interesses mascaram o jeito podre de se conduzir o esporte, ao ponto de o que é errado ser praticado com tamanha naturalidade que se passa a acreditar que, na verdade, é tudo correto, e a verdade não passar de um mero detalhe.

E o jeitinho brasileiro ?

cndSobre a chamada CND (Certidão Negativa de Débito), a ser exigida dos clubes como condicionante para disputarem os estaduais a partir de 2016, a FNF promete endurecer nessa cobrança. É o mínimo que se espera de quem permitiu o Baraúnas jogar irregularmente desde 2006, pois que não possuía diretorias legalmente constituídas, mas que assinavam contratos e votavam nas eleições da própria Federação.

Quero ver o exemplo da tal austeridade prometida pela entidade. Quem anda na linha, vai fiscalizar e cobrar isonomia.

É o momento, também, de os jogadores virarem o jogo ante a pilantragem de cartolas maus pagadores. Para quem quer receber, é faca e queijo na mão. Se não houver quitação dos débitos, o clube pode ser denunciado e rebaixado de divisão. Quem não pode com o pote, não pegue na rodilha. De outra forma, melhor voltar às ligas de bairros onde, por seu caráter existencial, se pratica naturalmente o amadorismo.

Esta pode ser a divisão de águas para o futebol, afastando maus dirigentes e suas gestões irresponsáveis. Chega!

Sobre a fórmula do Campeonato Potiguar para 2016, divulgada na semana que passou, destaco três aspectos.

Primeiro, entendo como absurdo a FNF impor que as finais do Estadual, independente dos finalistas, ocorram na Arena das Dunas. Isso anula a chamada vantagem por mando de campo, adquirida por uma campanha melhor. Em caso de um clube do interior estar envolvido nessas finais, onera e inviabiliza a ida de muitos torcedores a Natal. Tal medida beneficia, claramente, os clubes da capital. Custo a acreditar que o interior, com maioria esmagadora, se cale a respeito.

Por outro lado, entendo como uma decisão acertada no novo regulamento, é a exigência de o mínimo de cinco jogadores de até 22 anos entre os relacionados para uma partida. Dá sentido a investimentos na base e reduz o custo com os elencos.

Por fim, também vejo como positiva, a decisão de que o rebaixamento ocorra somente no fim do segundo turno. Isso significa manutenção de emprego de vários profissionais, entre jogadores e comissão técnica, além de oportunidade de recuperação na competição. Antes, um clube fechava suas portas com pouco mais de um mês de atividade. Era um absurdo.

Jaílson deu exemplo de humildade e um chute na soberba da classe

jaílson2

Por ser um crítico ferrenho da arbitragem nacional, não poderia deixar passar o caso do árbitro baiano Jaílson Macedo, ao voltar atrás na expulsão do lateral Egídio, do Palmeiras, contra o Chapecoense, há uma semana.

Enfrentou, pela decisão tomada, uma enxurrada de críticas. Argumentam que um erro não justifica outro. Vou na direção oposta e pergunto: que outro erro? Só vi o primeiro, da expulsão equivocada. E ela foi corrigida a tempo.

Na minha visão, Jaílson deu uma aula de humildade e responsabilidade ao corrigir um erro inicial crasso. Anulou a vergonhosa prática da soberba, típica dos nossos árbitros, ou do “já que tá dentro, deixa”.

Não levo em consideração aqui a dúvida sobre possível interferência externa, como se cogitou (mas não se confirmou), sobre eventual uso da tecnologia, que pra mim é a saída para reduzir os erros. Falo sobre a consciência de um profissional que zela por sua imagem e fez o que tinha que fazer. Merece meu respeito pela humildade e coragem, por isso tiro o chapéu para Jaílson.

Arbitragem x TV: o bicho vai pegar

A Anaf, Associação dos Árbitros de Futebol, ingressou na justiça para proibir a Globo de exibir a imagem dos árbitros durante as partidas do Brasileiro.

A fúria reside no fato de a categoria não receber Direito de Arena, como os jogadores, o que intensificou-se depois que a presidente Dilma retirou item da Medida Provisória 671 que repassaria ao sindicato dos árbitros, 0,5% do direito de imagem recolhido.

Os árbitros tentam fechar o cerco na luta pelo direito que entendem possuir. Não há futebol sem árbitragem, verdade. Embora, também, ninguém assista futebol na tv ou no estádio, por conta desses controversos personagens. Mas e daí, o que eles têm a ver com isso? Estão, por regra, no espetáculo do mesmo jeito e são expostos tanto quanto os atletas, daí a prerrogativa para o pleito.

Resta saber, caso não se chegue a um acordo, qual técnica e tecnologia serão usadas para se excluir de uma transmissão ao vivo, uma figura que está sempre entrançando entre os personagens principais. Seria uma revolução. Não tem jeito. Alguém vai ter que ceder.

 

Sobre o F9

A partir de Mossoró, segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, escrevemos sobre esportes, com ênfase para o futebol, nossa maior paixão. Notícias, vídeos, tabelas, opinião e tudo o mais que nos move pela estrada da informação esportiva. Somos uma equipe apaixonada pelo tema e compromissada com a verdade.