Zezinho não, mamãe!

Ouvindo entrevistas dos tricolores do Baraúnas na resenha da Rádio Difusora (1.170kHz), apenas ratifiquei meu pensamento em relação ao que ocorre, sempre de uma nova eleição. Zé Peixeiro, o último presidente de fato, mas não de direito, segundo a própria justiça, foi apenas mais um pego para fechar um buraco que outros haviam feito. Tipo namorado arrumado em cima da hora para casar no lugar daquele que realmente “mexeu” com a mocinha.

Pois bem. Agora, aqueles que o botaram não o querem mais. Os mais frequentes querem mudar o estatuto para evitar que Zé Peixeiro, outrora escolhido, ouse ao menos se aproximar da Toca do Leão. Vida que segue. Seu pecado? Zé, como Izabel Montenegro e como Eudes Machado, depois que entendeu a mecânica da coisa, não quis mais bancar o boneco de Olinda e optou em ter vida própria na administração, o que desagradou a quem normalmente dita as regras nos bastidores. Agora é esperar para ver quem será o boi de piranha, ou em termos mais populares, quem será o próximo Zé a ser pego para Mané.

Torcedores da esperança

Próximo de mais uma eleição, o Potiguar parece destinado a recolocar Benjamim Machado na cadeira de Presidente Executivo, o que nunca será novidade, pois que sempre foi um soldado à disposição para a luta. Ocorre que no seio da torcida, e da própria diretoria, ainda há aqueles que se alimentam da possibilidade de permanência de Jorge do Rosário. Até aqui, ele parece reticente à proposta.

Essa reação da torcida – já comentei- é reflexo da imagem de seriedade transmitida e espírito empreendedor revelado por Jorge que deixou o clube sob a perspectiva da estruturação e crescimento. E esse fato, para aqueles que enxergam o clube bem além do próximo Estadual, parece ter mais peso que um ou outro título de campo. O CT, por exemplo, é ostentado pela torcida como maior conquista, bem mais até que o bicampeonato. Ocorre que os alvirrubros sentem que seu clube, mesmo ante alguns tropeços, está pegando o jeito, mas que para consolidar-se precisa da continuidade de um trabalho que vem dando certo, graças a uma mentalidade administrativa que proporcionou, no mínimo a recuperação de sua autoestima. Isso é o começo.

Nessa escassez de novos e promissores dirigentes, Jorge do Rosário é encarado pelos alvirrubros como um achado. A tentativa de demovê-lo da ideia de deixar o clube se justifica pelo temor da quebra dessa sequência administrativa lançar o Potiguar novamente no caminho das incertezas, como num passado recente.

ACDP: será que agora vai?

O Potiguar parece decidido a dar um destino útil a sede social do clube, a velha ACDP. Para isso, o Conselho Deliberativo está convocando assembleia para quarta-feira (9), no Nogueirão, quando tratará da venda ou permuta do imóvel.

Encravada no centro da cidade, a velha ACDP apenas se deteriora, gera dívidas e o clube quase não serve ao clube. Cheia de sócios/donos que não pagam nenhuma mensalidade, portanto não contribuem em nada para sua manutenção, ela acaba sendo um fardo para quem, de verdade, vive o Potiguar.

Lembro que o ex-presidente alvirrubro, Stênio Max, já havia tentado o mesmo caminho, mas por motivos que desconheço, fracassou. Tomara que desta vez, determinados a escrever uma nova história e desnudos do receio de desagradar uma ou outra figura que tenha sido Potiguar no passado, mas que já abandou o clube há décadas, os atuais dirigentes consigam exorcizar, de vez, o fantasma de um tempo perdido.

Já passou da hora de quem realmente investe no clube, posicionar-se e transformar o velho problema em solução.

Passaram o rodo no Flu

Vi e revi todos os lances polêmicos envolvendo a arbitragem da rodada deste meio de semana, do Brasileirão, Série A.

 

Há erros decisivos nos jogos  Ponte Preta x Cruzeiro, Corinthians x Fluminense e Goiás x Palmeiras. Em Atlético-MG x Atlético-PR, o pênalti marcado para o clube paranaense, que decretou sua vitória por 1×0, divide opiniões. Nos demais parece haver uma unanimidade. Ah, antes que alguém recorra ao pensamento de Nélson Rodrigues, de que toda unanimidade é burra, vou discordar. É que pegaram a frase ao pé da letra e deram outra interpretação.

Mas voltando aos lances, me parece claro que o mais cabeludo foi aquele em que foi protagonista o xará Fábio Pereira, auxiliar na partida Corínthians 2×0 Fluminense. Ele anulou o gol legítimo do atacante Cícero, do Tricolor, alegando impedimento. A partida estava 1×0 e aquele seria o empate, o que poderia mudar a história do jogo.

A condição que o zagueiro do Timão dava ao atacante do time carioca, era quilométrica. Não havia chance de um auxiliar atento, bem preparado, cair naquele erro. Mas Fábio caiu.

Coincidência ou não, foi, mais uma vez, um erro que beneficiou o bom time do Corínthians, que agora abre sete pontos de vantagem sobre o Atlético Mineiro. E o Flu, coitado, viu a chance de voltar ao G-4 ir embora no errôneo tremular da bandeirinha do auxiliar.

Os alvinegros dirão que não tem nada a ver com isso, o que é verdade. Mas, também, vai reclamar uma eternidade a nação tricolor, também coberta de razão. E o auxiliar vai, no máximo, passar por uma reciclagem e logo volta sem a garantia de que não cometerá tais equívocos novamente. Pior ainda para o futebol e a imagem da arbitragem nacional, em declínio quase crônico. Tecnologia já.

Por que a punição é só para quem menos erra?

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Não está fácil assistir a um jogo do Campeonato Brasileiro, seja qual for a série, sem se estressar com quem menos deveria aparecer, mas que no fim é quem mais é notado, a arbitragem.

E parece que tudo piorou depois da orientação da Comissão Nacional de Arbitragem de reduzir a tolerância em relação às reclamações dos jogadores. Olhou feio, cartão.

Ah, tá. Mas e a tolerância quanto aos erros, cada vez mais frequentes e decisivos da arbitragem que aumentam a cada rodada? Quem os punirá, de verdade?

O corporativismo parece que impera nessa questão. Jogador reclamar é desumano e passivo de amarelo e até vermelho, mas o erro é prerrogativa humana e exclusiva do árbitro. Vale o perdão e garantia de escalação para as rodadas seguintes.

O recurso do cartão virou arma para se inverter valores, tirando o foco dos erros, muitos deles grotescos, da arbitragem. Amarelar ou expulsar é mais fácil que marcar uma falta, um impedimento, anular ou validar um gol. Ou seja, melhor punir por conta da reclamação de quem está carregado de adrenalina e se sente prejudicado, que cumprir a própria obrigação de marcar o que é correto.

Deve-se punir na mesma proporção, ou até maior, a arbitragem que interferir no destino de uma partida. E não venham com esse papo de que se isso ocorrer, os árbitros entrarão pressionados e correm risco de errarem ainda mais. E é só ele? Os jogadores não entram pressionados pelo resultado? A diferença é que jogador e o treinador perdem o emprego por um resultado ruim, mas um arbitragem geralmente dá em nada.

Sou cada vez mais convicto de que a tecnologia deve ser adotada no futebol como forma de auxiliar e fiscalizar atitudes de árbitros despreparados, intencionais ou não. Não é de hoje que penso assim.

Chega de entregar exclusivamente a um, ou três seres humanos passivos de erros, mas que se acham Deuses a partir do uso de expressões faciais carrancudas intimidadoras, comportamento prepotente, um apito e dois cartões, todo o poder de mudar o resultado justo de um jogo.

Digo sempre que o árbitro de futebol é um peladeiro frustrado que não conseguiu se profissionalizar, mas insistiu em estar dentro do jogo e que, por isso, muitas vezes descarrega sua frustração nos atletas por não ter seu nome gritado por uma multidão. Não da forma que gostaria.

É impressionante o poder que se confere e essa figura que nem de profissional podemos classificar, pois perante a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), não é, mas que pode, sem ser contestado, prejudicar centenas de profissionais com suas decisões. E o pior, que nesse campo, não se admite contestação. No Direito, se recorre de decisões de juízes, mas no futebol eles são supremos e extremos.

Que seja utopia, mas vou continuar sonhando com a chegada desse dia. Aí não serão pelas fórmulas de campeonatos, mas por uma arbitragem com erros beirando o 0% que diremos sobre a justiça de um verdadeiro vencedor.

Estão matando o gramado do Nogueirão

Quem tem ido ao Nogueirão ultimamente, é testemunha da tristeza que transmite o visual do gramado.

Ele não lembra em nada aquele do início do ano, quando estava sob os cuidados de Francisco Brás, presidente da LDM.

Hoje, o verde só é visto quando algum time tem essa cor em seu uniforme. É um amarelão sem tamanho.

O uso indiscriminado daquele espaço tem gerado o cenário desolador. As atividades constantes não deixam espaço para a grama respirar e os esforços da administração do estádio para irrigá-lo, mesmo com escassez de água, acabam nulos. Treinos do Mossoró (sub-19 e profissional) e até bem pouco tempo do Potiguar sub-19, são rotina. Some-se a isso os jogos dos campeonatos de base da Liga, do Estadual Sub-19, Segunda Divisão e Campeonato da Prefeitura.

Como se não bastasse, ainda submeteram o já sofrido gramado aos jogos do Jern’s, pela manhã e tarde. Para esse caso, como era de costume, havia o campo do IFRN como opção, mas o capricho de algum sábio gestor mandou para o Nogueirão mais essa carga.

Alguém precisa avisar a esse povo que aquilo é grama viva, e não sintética. Tudo que é vivo precisa ser alimentado, tratado e ter repouso, senão morre. Esse é o zelo que o patrimônio do povo merece?

Não é um Pokemon qualquer

De repente, o nome da moda é Yago Pikachu, bom lateral e com traços de artilheiro que veste a camisa do Paysandu. Até lembrança de seu nome para a seleção, já se ouve, até porque há uma escassez de especialistas competentes e com características modernas no nosso futebol, como as dele. Mas a reboque, também ecoam os gritos debochados. Por que? Simples. Não respira os ares do sul maravilha.

Estivesse em qualquer clube carioca, paulista, gaúcho ou mineiro, seria facilmente lembrado por Dunga e a maioria da imprensa. Não estou forçando uma convocação mas, por tanta peça sem encaixe que é chamada para a amarelinha, por que não? Como dizia um comercial, experimenta!!! O que temos a perder?

As histórias de sucesso possuem necessariamente, doses de oportunidade. Mas tem que ser pra valer. Não falo de chamar para um amistoso na Indonésia, deixar o cara no banco, ou botar pra jogar nove minutos para depois dizer: “Pronto, já deu”. Em resumo, o preconceito que divide o Brasil em dois, ainda rola redondo como uma bola, até no futebol.

Qual o milagre?

Como o Ginásio Pedro Ciarlini, sem sediar jogos há anos devido ter sido interditado pelo Corpo de Bombeiros, e sem passar por nenhuma reforma recente para corrigir seus problemas, é liberado para festas juninas? Querendo o mesmo direito de uso, os esportistas de várias modalidades querem saber o santo e o milagre.

Então, os amantes de esportes, praticantes ou apenas espectadores, devem agradecer aos milagres juninos pela liberação do Pedro Ciarlini. Depois das festas, teremos aquele equipamento reaberto para a prática esportiva. Pelo menos, assim manda a lógica. Ou não?

Quem paga a conta?

Depois de adiar o início do Campeonato Sub-19, a Federação Norte-riograndense de Futebol (FNF) resolveu adiar, também, a largada da 2ª divisão do Campeonato Potiguar para 22 de julho. O primeiro reflexo já apareceu. Sem uma competição a curto prazo a disputar, nem condições, por falta de recursos, de manter seu elenco apenas treinando por dois meses, o Mossoró Esporte Clube suspendeu suas atividades na sexta-feira passada (12), e só retorna no dia 10 de julho. Uma decisão que não cabe contestação. Cada um sabe onde o sapato aperta. A gente, que tanto fala em planejamento, dessa vez não pode atribuir o erro ao clube. Não bastasse a falta de premiação em dinheiro em suas competições, A FNF, que deveria facilitar a vida de seus filiados, cumpre o papel inverso, onerando-os. A mudança repentina no calendário pode comprometer até os planos do clube, pois passa a correr o risco de perder os jogadores com os quais já estava acertado. A menor competição do mundo, com apenas quatro equipes, a divisão de acesso potiguar parece mesmo coisa de segunda.

A prova é contínua

Muito ouço, desde sempre, jogador A ou B falando após uma boa apresentação particular, e geralmente após marcar gol, que não tem mais nada a provar a ninguém. Se observamos a história construída, sim, pois já se edificou uma imagem sobre suas qualidades técnicas, positivas ou negativas. A história não se apaga, mas ela continua sendo escrita. Geralmente, o “não tenho mais nada a provar” vem antecedido por momentos ruins que resultam em cobranças. Uma boa apresentação dá a sensação de auto afirmação e um ar de soberba ao atleta. Se sente intocável nesse momento. Quase Deus. Mas repito. Ninguém está questionando a história, mas o momento. Ninguém é, ou não deveria ser contratado no futebol apenas pela história. Futebol é momento. Então, provar estar bem é um exercício constante para justificar a titularidade e até um novo contrato. É a manutenção da confiança do dirigente e da torcida, provando que há uma relação custo benefício compensatória. Por isso, sempre que um atleta diz não ter mais nada a mostrar, é porque está sendo cobrado e provavelmente seja exatamente o momento em que mais deva provas.

Sobre o F9

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