Ferroviário Esporte Clube, a Cobra Coral

Ferroviário Esporte Clube

Sequenciando a nossa pesquisa a respeito dos clubes que escreveram páginas indeléveis na história do nosso futebol, é chegado o momento de abordar sobre o Ferroviário Esporte Clube, ou a “cobrinha coral”, como é carinhosamente cognominada pela imensa torcida tricolor.

No dia 28 de novembro de 1947 aconteceu a fundação do citado clube, que teve como seu primeiro presidente o destacado comerciante da cidade, senhor Manoel Veras Leite, um dos incansáveis baluartes das causas esportivas da terra de Santa Luzia.

Por ocasião da formação da sua primeira equipe, coube à diretoria do Ferroviário contratar os melhores atletas que existiam em Mossoró-RN, a saber: Jairo; Dalmiro e Dudeca; Rfael, Dandão e Ponteiro; Zequinha Melado, Carapeb, Anemiro, Anacleto e Waldir, cabendo ao excelente treinador Antônio Lauro de Mendonça (Peroba), de saudosa memória, a missão de administrar o esquadrão de aço da Reffsa.

A primeira conquista de um título de campeão mossoroense de futebol aconteceu no ano de 1956, oportunidade em que o Ferrim teve a seguinte formação: Agostinho; Miguel e Dedite; Renato Andrade, Borrego e Milton Cabinho; Mundoca Firmino, Sulina, Bececê, Miranda e Waldir, cabendo ao técnico Francisco de Petro o comando do elenco.

Não encontrando o incentivo necessário para permanecer disputando os certames patrocinados pela Liga Desportiva Mossoroense (LDM), a alta cúpula diretiva do Ferroviário tomou a inciativa de licenciar-se, retornando tão somente no ano de 1963, oportunidade em que voltou a recrutar o que existia de melhor na cidade, com referência aos atletas. Observe a sua formação no citado ano: Alderi; Alcides, Walney, Arranha e Chinês; Arandir e Isaías; Nonõe, Mota, Caluca e Aldecir Cardoso.

Em 1970, ano em que a nossa cidade comemorou festivamente o primeiro centenário de sua fundação, coube ao Ferroviário o inédito título de campeão mossoroense de futebol, contando com esta formação: Pedro Sales; Milagre, Mavinier, Gaudêncio e Xexéo; Josenor e Lima; Lourinho, Nôpa, Mário Jorge e Chiquinho. Técnico da “cobrinha coral”: Sarmento.

Nova conquista de título de campeão veio em 1972, ano em que o Brasil Comemorou o sesquicentenário da sua independência. Portanto, o Ferroviário Esporte Clube tem realmente razão para ser orgulho de sua numerosa torcida.

Atualmente, o Ferroviário participa dos eventos patrocinados pela LDM, sempre revelando novos craques para o desporto local.

Na próxima edição registraremos o União Esporte Clube, também conhecido como clube dos “brotinhos”.

Esporte Clube Potiguar

Esporte Clube Potiguar

Para esta edição, registramos um pouco da história do Esporte Clube Potiguar, sucedido a seguir para a denominação de Associação Desportiva Potiguar, e nos dias atuais, Associação Cultural e Desportiva Potiguar, ou “Time Macho”, como é cognominado pela sua enorme torcida.

A sua fundação deu-se no dia 11 de fevereiro de 1945, através dos seguintes desportistas: José Genildo de Miranda, José Rosas Soares, Manoel Leonardo Nogueira, Calistrato do Nascimento Filho, Carlito Lima Ferreira, Raimundo de Souza Queiroz, Walter Pinheiro Martins, Wilson Leão de Moura, Tércio de Miranda Rosado, José Ferreira da Silva, José Maria Cordeiro, Wilson Dias da Cunha, Francisco Holanda de Oliveira, Raimundo da Rocha Gurgel, Francisco Freire de Vasconcelos, Isaías Nunes Pereira, Francisco Leonardo Nogueira e Raimundo Fernandes Maia.

A primeira formação do alvirrubro foi esta: Maninho Queiroz; Raimundo Queiroz e Dedite; Zé Ferreira, Chico Holanda e Calizinho; Zé Maria, Pedroca, Labruna, Wilson Leão e Wilson Dias.

O batismo do Potiguar como clube de futebol aconteceu diante do Clube Atlético Mossoronse, que foi fundado no dia 18 de janeiro de 1945 pelo desportistas: Luiz Mariano de Azevedo (Luiz Bolão, genitor do confrade Lupércio Luiz de Azevedo, em saudosa memória), Manoel Leonardo Nogueira, dr. Benedito Pereira, Lauro da Escóssia e dr. José Vieira.

Diante da partida do Potiguar, o Atlético teve a seguinte formação: Gerin; Dedite e Mimi; Lolinha, Waldir e Rafael; Antônio de Mundoca, Petro, Surica, Tidão e Dequinha (o maior centro-médio do Flamengo-RJ, em todas as épocas).

A primeira vez que o Potiguar atuou diante de um clube de outro estado ocorreu na cidade de Patos-PB, frente ao Esporte Clube de Patos, campeão estadual e detentor de consagradoras vitórias frente aos grandes clubes de Recife, João Pessoa, Natal, Salvador e até mesmo o São Cristovão-RJ. O Potiguar venceu por um tento a zero, gol marcado através de Dorian Amaral. No citado jogo, o alvirrubro teve esta formação: Romildo Nunes; Sitonho e Mimi; Borrego, Melado e Zezeca; Orlando Ciarlini, Bira, Dorian Amaral, Aurino e Renê Dantas.

O Potiguar é o único clube da cidade a conquistar um pentacampeonato de futebol, no período de 1951 a 1955, além de inúmeros outros títulos, inclusive o de bi-campeão Norte-rio-grandense de Futebol, nos anos de 2004 e 2013.

Este, apenas um resumo da maravilhosa história do Potiguar, clube que representa com muita garra e determinação, o orgulho do futebol mossoroense.

Para a próxima edição, abordaremos sobre o Ferroviário Esporte Clube, a “Cobrinha Coral”.

Mossoró Sport Clube

Time que marcou o retorno do Mossoró Esporte Clube, em 1996

Para esta edição registraremos um pouco da presença do Mossoró Sport Clube, atuando no Stadium Mossoró Limitada nos primeiros anos de existência do futebol na terra de Santa Luzia.

A fundação do referido deu-se em virtude da dissolução do Santa Cruz, fato registrado no dia 15 de março de 1922, e que teve a sua primeira diretoria formada pelos seguintes desportistas: presidente: João Minho de Oliveira; vice-presidente: Francisco Ludgero; secretário: Antônio Martins Soares; 2º secretário: Raimundo Nonato da Silva; tesoureiro: Raimundo Miranda; adjunto-tesoureiro: Miguel Cruz; diretor de Esportes: Manoel Amorim; procurador: Luiz Duarte Ferreira.

A primeira formação do Mossoró foi esta: Rolleaux; Zé Dantas e Zé Canuto, Antônio Ayres e João Dantas; Seu Chico, Hemetério, Cossado, Xixita e Misturado.

A equipe era conhecida como “clan” dos Canutos, cujo patrono sempre foi o destacado desportista Miguel Canuto de Souza, proprietário de uma oficina de marcenaria, músico que remanescia dos dias das suas maiores bandas da cidade (charanga e fênix). Seus filhos, num total de onze, todos do sexo masculino, descaram-se como atletas de futebol, a saber: Seu Chico, Seuné, Hemetério, Migas, Raimundo, Genipo, Mário, Pedro, João, José e Geraldo. Hemetério Canuto foi o primeiro mossoroense a integrar o selecionado de futebol do nosso estado, que tinha o apelido de “os fantasmas do Norte”, conseguindo memoráveis vitórias diante de clubes da Paraíba, Ceará e Pernambuco.

Em 1923, o Mossoró sagrou-se campeão da cidade. No ano seguinte veio o bicampeonato, tendo convidado para a colocação das faixas nos atletas o América de nossa capital, cujo placar apontou o empate em dois tentos. O nosso representante atuou com o futebol de Rolleaux; Zé Dantas e Zé Canuto; Cangoteira, João Dantas e Chico Marques; Cossado, Migas, Hemetério, Xixita e Barnabé.

Na condição de beneméritos do Mossoró, podemos citar, além do desportista Miguel Canuto de Souza e toda a sua família, Manoel Eufrásio de Oliveira, Eufrasino do Nascimento, João Mendonça Filho, Manoel Rodrigues das Chagas, Joaquim Ayres e Francisco Ludgero da Costa.

Após permanecer em recesso no nosso futebol, o Mossoró retornou no ano de 1996, já sob a nomenclatura de Mossoró Esporte Clube, sendo também conhecido como “O Dragão do Oeste”, para participar do campeonato estadual daquela temporada. Nessa fase, seu presidente era o professor Gilberto Ferreira. A seguir permaneceu participando tão somente das competições com categorias de base, patrocinadas pela Liga Desportiva Mossoroense (L.D.M). Também se aventurou no futsal, em 2014, quando disputou o campeonato estadual da categoria.

O Mossoró mudou de direção e mascote. Atualmente, o MEC, como também é chamado, é presidido pelo empresário João Dehon da Rocha, que por muitos anos dirigiu o rival Baraúnas. Agora, o clube tem como mascote o Carcará, ave de rapina que simboliza resistência.

No próximo domingo abordaremos a respeito do Potiguar, clube de garra e tradição no nosso futebol.

AMEA/L.M.F/L.D.M

Com o advento do futebol em nossa cidade, através da fundação do Humaytá Football Club, no dia 14 de outubro de 1919, tornou-se necessária a existência de uma entidade que administrasse a prática esportiva, o que motivou um grupo de desportistas a criar na mesma data (14.10.1919), a Associação Mossoroense de Esportes Atléticos (AMEA), que teve como seu primeiro presidente o engenheiro e funcionário de carreira do Banco do Brasil S/A, agência local, dr. Virgílio Cantanhêde Sobrinho, profissional que prestou relevantes serviços a Mossoró-RN durante a sua permanência entre nós.

A Amea permaneceu à frente dos destinos do futebol da terra de Santa Luzia por um curto período, ou seja, apenas dois anos, cabendo ao dr. Virgílio Cantanhêde Sobrinho, na condição de primeiro mandatário da mesma, além de outros benefícios, estimular o surgimento de novos filiados, a exemplo do Ypiranga, Centro Sportivo Mossoroense, Palmeiras e Santa Cruz.

Em 1921, a Amea encerrou suas atividades esportivas, sendo sucedidad pela Liga Mossoroense de Futebol (L.M.F), que teve como seu primeiro presidente o Professor Eliseu de Oliveira Viana, que além de partícipe da ideia da implantação do nosso futebol, ao lado do Sr. Solon Aranha, ambos integrantes da Associação de Escoteiros de Mossoró, destacando-se ao lado da esposa, Professora Celina Guimarães Viana (primeira “referee” – árbitra de futebol), que a nossa cidade teve conhecimento, orientando seus alunos do grupo escolar “30 de setembro”, com apito na boca e livro de regras na mão.

O Prof. Eliseu Viana foi sucedido, em 1922, pelo dr. Antônio Brasil, outro desportista que deu o melhor dos seus esforços em prol do desenvolvimento do futebol mossoroense.

No ano de 1923, os clubes participantes da L.M.F demonstraram certa apatia pela prática do esporte bretão, o que motivou a mentora a paralisar suas atividades até o final de 1933, portanto durante o período de dez anos consecutivos.

Eis que, em 1934, coube ao desportista Lauro da Escóssia encetar uma campanha visando o retorno da prática do futebol local, obtendo pleno êxito e sendo indicado por unanimidade para assumir a presidência da L.M.F, o que fez com capacidade e dinamismo.

Em 1935, a Liga Mossoroense de Futebol foi sucedida pela Liga Desportiva Mossoroense (L.D.M), tendo como primeiro presidente o dr. Francisco Duarte Filho, inolvidável desportista local. A L.D.M permanece até os dias atuais e o desportista que esteve por maior período frente à presidência da mesma foi o Prof. Manoel Leonardo Nogueira, de 1956 a 1967.

Na próxima edição abordaremos a respeito do Mossoró Sport Clube.

Stadium Mossoró Limitada

Stadium Mossoró Limitada

Antes de seqüenciar o nosso registro sobre a história dos clubes que fizeram parte da história do futebol local, vamos abordar a respeito dos campos onde se praticava a referida modalidade, no seus primórdios.

Sabemos que a apresentação histórica de dois clubes aconteceu no dia 20 de agosto de 1918, após o primeiro treino, envolvendo os quadros branco e azul, representando a Associação de Escoteiros de Mossoró.

De forma oficial, portanto, a última data anteriormente citada quando, no campo localizado em frente a Cadeia Pública, os quadros branco e negro se defrontaram, cabendo a vitória ao primeiro pelo placar de dois tentos a zero.

O primeiro gol foi de autoria de Sérgio Ciarlini, portanto, o gol história do nosso futebol. A partida teve como “referee” (árbitro) o sportman Enéas Almeida.

Os quadros tiveram as seguintes formações: quadro branco: J. Reginaldo; Chiquito e Sérgio Mota; Pedrito, Duó e Otoni; Cristovão, Alfredo, Sérgio Ciarlini, Mirabeau e Jansen. Quadro negro: José Antônio; Gondim e Wanderley; Morais, Luiz, Jayme, Deusdedith, Jorge e Xixico.

A seguir, segundo a imprensa esportiva da época, os jogos passaram a ser disputados no local onde atualmente acha-se construída a Praça dos Hospitais (Praça Cônego Estevam Dantas).

Os jogos iniciais foram também disputados no local onde hoje acha-se instalada a Praça Rodolfo Fernandes, também conhecida como a Praça do PAX.

Por sua vez, o Stadium Mossoró Limitada, ou campo da Rua Benjamim Constant, atual sede do Serviço Social da Indústria (SESI), teve o seu terreno doado pelo empresário Luiz Teotônio de Paula, na época em que o mesmo presidiu a Liga Mossoroense de Futebol (L.M.F).

A referida  Praça de Esportes teve a sua inauguração no dia 20 de novembro de 1927, com a realização da partida envolvendo Mossoró versus Ypiranga, cabendo a vitória ao primeiro pelo placar de dois tentos a um, cuja súmula, a seguir, registramos. Mossoró: Sebastião; Zé Dantas e Júlio; Vicente, Dantas e Marques; Alfredo, Cossado, Piragy, Xixita e Fortes. Ypiranga: Rolleaux; Vicente e Luiz; Arlindo, Joel e Mozart; Nunes, Souza, Gentil, Hilário e Clóvis. Os gols foram assinalados através de Zé Dantas (gol histórico) e Luiz (contra), para o Mossoró, cabendo a Hilário descontar para o Ypiranga. Renda: oitocentos e treina e oito contos de réis. Referee (árbitro): Júlio Maciel (atleta do Humaytá).

A última partida realizada no estádio da Rua Benjamim Constant aconteceu no dia 28 de maio de 1967, envolvendo Potiguar 2×0 Ypiranga, válida pelo Torneio Quadrangular Cidade de Mossoró.

Na próxima edição abordaremos sobre a AMEA, L.M.F e L.D.M.

Santa Cruz Futebol Clube

Santa Cruz Futebol Clube

O focalizado desta edição é a equipe do Santa Cruz Futebol Clube, que teve a sua fundação no ano de 1920 e era identificado pelos desportistas mossoroenses como o “time dos bêbados”.

Tal apelido deve-se ao fato de que os integrantes do elenco tinham por tradição, antes da participação dos jogos no Stadium Mossoró Limitada, servirem-se de uma bem temperada panelada, ingerindo bastante água que passarinho não bebe (aguardente). Para os jogadores , tudo era festa: se comemorava as vitórias da mesma maneira que as derrotas: a cachaça era fator preponderante nas comemorações.

A sua primeira formação foi a seguinte: João Batista Pinto; João Hauphans Cavalcanti e Albuquerque (também conhecido por Mister Gelba); Possídio Gondim. Edgard Medeiros e Mário Miranda; Santídio Gurgel (alcunha de Cabide), Nonato Borges (o popularíssimo Pio Xis), Jayme Moura, Eduardo Medeiros, Jeremias Gurgel e Sérvulo Marcelino.

Por ocasião do torneio realizado pela Liga Mossoroense de Futebol (L.M.F), no dia 15 de novembro de 1921, cerca de cinco clubes participaram do evento, a saber: Humaytá, Ypiranga, Centro Sportivo, Palmeiras e Santa Cruz.

O adversário do Santa Cruz foi o Palmeiras, que conquistou a vitória pela contagem mínima. O alviverde atuou e venceu com o futebol de Miguel Joaquim; Zé Victor e Bidéu; Severino, Teodoro e João do preso; Zé Acioli, Major, Zequinha, Parafuso e Tourá. Já o Santa Cruz saiu do campo derrotado com a seguinte formação: João Batista; Albuquerque e Zé Hauphans; Possídio, Eduardo e Mário Miranda; Cabide, Jaime, Edgard, Sérvulo e Jeré.

Durante a sua curta permanência no futebol mossoroense, o Santa Cruz pôde contar com o apoio dos seguintes abnegados: Santídio Gurgel, Edgard Medeiros, Álvaro Medeiros, Mário Miranda, Jeremias Gurgel, João Wanderley de Albuquerque, dentre outros.

Necessário se faz o registro de que o tricolor teve uma existência efêmera no nosso futebol, provavelmente motivada pelo pouco empenho da sua diminuta massa de torcedores, que não conseguiu incentivar de forma mais eficaz os atletas que integraram o elenco do Santa Cruz.

Procuramos junto do arquivo existente na imprensa esportiva da época, jornais “O Mossoroense”, “Correio do Povo” e “O Nordeste”, maiores informações à respeito da atuação do Santa Cruz no futebol local, entretanto não nos foi possível localizar maiores detalhes, o que nos faz crer que a citada equipe não realizou boas campanhas  durante a sua permanência no cenário esportivo da cidade.

Na próxima edição abordaremos sobre os campos de futebol locais.

Palmeiras Futebol Clube

Time do Palmeiras Futebol Clube

Nesta edição focalizaremos a presença do Palmeiras Futebol Clube, quarta equipe a ser fundada em Mossoró, no ano de 1920.

À época, os clubes representavam os principais bairros mossoroenses, cabendo ao Alviverde a responsabilidade de levar para as quatro linhas do Stadium Mossoró Limitada, o que existia de melhor no populoso bairro Paredões.

Assim sendo, os irmãos Miguel Joaquim de Souza, Totonho Joaquim, José Joaquim, aliados aos desportistas Francisco Borges, Tibério Bulamarqui, Raimundo Nonato da Silva, Major Higino e João do preso decidiram tornar realidade a ideia de fundação do Palmeiras.

A formação inicial do Alviverde foi a seguinte: Miguel Joaquim, Zé Victor e Bidéu; Severino, Teodoro e João do preso; Zé Acioli, Major, Zequinha, Chico parafuso e Tourá (apelido do ponteiro canhoto Chico Borges).

O Alviverde estreou oficialmente no nosso futebol somente no ano de 1921, mais precisamente diante do Humaytá. Um fato pitoresco foi registrado na semana que antecedeu a citada partida. O então presidente do Palmeiras, Sr. Tibério Burlamaqui, observando o tamanho do bigode de que era portador o atleta Bidéu, exigiu, de imediato, que o mesmo fosse “raspado”, determinando que o barbeiro Francisco de Souza Filgueira (Chico Batista), de posse de uma navalha, um pouco enferrujada, e sem auxílio do indispensável creme de barbear, em falta naquele momento na barbearia, procedesse ao ato de retirada, sob os gemidos e dores incríveis do atleta.

Após um pouco período de atividade, na sua fase inicial, o Palmeiras afastou-se das quatro linhas, retornando somente no ano de 1935, quando formou ao seguinte onzena: Bacora; Chico e Benedito; Mariano, Crocodilo e Preto; Nicácio, Nonato, Agostinho, Oliveira e Melão.

Durante a sua existência, o Alviverde do bairro Paredões teve como dirigentes beneméritos: Tibério Burlamaqui, Cícero de Oliveira, João Joaquim de Souza, Severino Rosa, professor Raimundo Nonato da Silva, Joaquim da Silveira Borges Filho, Luiz Duarte Ferreira, dentre outros.

Após uma vitória diante do América de nossa capital, dirigentes, atletas e torcedores, comemoraram o feito, que resultou no placar favorável de dois tentos a zero, na sede do clube, e já na madrugada esqueceram as velas acesas sobre a mesa, o que resultou num incêndio, cujas chamas debilitaram os livros de atas, propostas e pastas de ofícios do clube.

Retornaremos no próximo domingo, focalizando o Santa Cruz.

Centro Sportivo Mossoroense

Centro Sportivo Mossoroense

Após abordarmos a respeito do surgimento do Ypiranga Sport Club, é chegado o momento de fazer o registro do terceiro clube de futebol a ser fundado em nossa cidade, no caso o Centro Sportivo Mossoroense.

No dia 21 de novembro de 1920, o torcedor da terra de Santa Luzia tomava conhecimento do surgimento de mais uma equipe a ser inserida no cenário esportivo da cidade.

A primeira diretoria do alvirrubro contou com a participação dos seguintes desportivas: Presidente: Gentil Soares e Silva; Adjunto-tesoureiro: Genipo Fernandes; Diretor Esportivo: Paulo de Albuquerque.

A ideia de fundação do Centro Sportivo deu-se através de alguns dirigentes do Humaytá, que tinha como objetivo, contar com um aliado nas reuniões presididas pela Liga Mossoroense de Futebol (L.M.F), posicionando-se contrário às pretensões do Ypiranga, tendo em vista que, naquele momento, a rivalidade chegava ao limite máximo permitido entre os alvicelestes e o alvinegro.

Ocorre, entretanto que, como se diz no adágio popular, o “tiro saiu pela culatra”. Tão logo o Centro tomou conhecimento da artimanha aplicada pelo “vovô”, posicionou-se contrário, passando a fazer parte do bloco que decidia os interesses do Ypiranga.

A formação inicial do Centro Sportivo foi a seguinte: Loureiro, Toinho e Nino; Joca Delfino. João Batista Pinto e Pio Xis; Carlito Santiago, João Nogueira Filho, Humberto Mendes, José Soares e Zeca Matias.

No dia 25 de dezembro de 1921, a Liga Mossoroense de Futebol (L.M.F), idealizou um torneio no qual o Centro Sportivo havia sido sorteado para atuar diante do Humaytá, sendo que, ao final do clássico,  “vovô” conquistou a vitória pelo placar de um tento a zero, gol marcado através do atacante Nunes.

Na citada partida, o Centro Sportivo atuou com o futebol de Cazuza (goleiro que havia sido dispensado pelo América de Natal-RN, dada a sua indisciplina na meã); Cabeleira e Navegantino; Joca, João Batista e Pio Xis; Olavo, Luisinho, Eurico, Bobô e Gim.

Em 1936, a equipe do Fortaleza Esporte Clube, da capital alencarina, atuou amistosamente em nossa cidade, diante do Centro Sportivo, obtendo uma vitória pelo placar de três tentos a um. Observe a formação do alvirrubro no referido jogo: Rolleaux; Júlio Ferreira e Antônio Paraguai; Lolinha, Saruê e Bitenta; Mundoca, Antônio Ayres, Careca, Zezinho e Raimundo Canuto.

Na próxima edição focalizaremos o Palmeiras Futebol Clube, quarta equipe fundada em nossa cidade.

Ypiranga Sport Club

Ypiranga, glorioso alvinegro de tantas glórias e tradições, o 2º clube fundado em Mossoró.

Seqüenciando a história dos nossos clubes, chegou a vez de focalizar o Ypiranga Sport Club, alvinegro de tantas glórias e conquistas em prol do bom nome do futebol mossoroense.

A sua fundação aconteceu no dia 12 de setembro de 1920 e teve como primeira diretoria os seguintes desportistas. Presidente: Padre Manoel da Costa; vice-presidente: Solon Aranha; secretário: João Felipe de Oliveira; orador: Alfredo de Souza Melo; tesoureiro: José Rauphanas Cavalcanti; diretor de esportes: Bonifácio Costa, que após reunião histórica constituiu o seu primeiro quadro de associados, composto, além dos mesmos, por Manoel Lopes de Melo, Luiz Miranda, Adauto Miranda, Oscar Correia Dias, José Feliciano Pimenta, Sérvulo Marcelino, Vicente Leite, Sebastião Cruz e Anésio da Rocha.

O jogo histórico do Ypiranga aconteceu diante do Humaytá, no dia 15 de novembro de 1920, oportunidade em que foi disputada a taça Associação Comercial de Mossoró, que teve a sua tenda destinada em benefício do Hospital de Caridade de Mossoró. Ao final da partida, o Ypiranga conquistou a vitória pelo placar de dois tentos a zero, gols assinalados através de Cordeiro e Costa. Coube ao professor Eliseu Viana a função de referee (árbitro), tendo o alvinegro utilizado esta formação: Erisberto; Luiz e Epifânio, Filemon, Lucylo e Euclides; Carlito, Alípio, Costa, Oscar e Cordeiro.

A entrega da taça ocorreu no Bar Alcino, oportunidade em que o poeta Edinor Avelino proferiu um eloqüente discurso, enaltecendo a vitória do Ypiranga, bem como a tenacidade dos atletas do Humaytá. O capitão José Alves Tavares, presidente da Associação Comercial, usou da palavra para agradecer o empenho das equipes no citado jogo.

Coube ao Ypiranga convidar o América Futebol Clube de Natal-RN, em 1924, para uma apresentação no Stadium Mossoró Ltda, e que, ao final teve o placar indicando a vitória do alvinegro pelo escore de dois tentos a um. O Ypiranga venceu com o futebol de Lopes; Vicente e Zé Costa; Veras, Joel e Mozart; Nunes, Cantuária, Gentil, Joãozinho e Hilário. Já o América foi derrotado atuando com esta formação: Gama, Ricardo e Everardo; Canela, Tinôco e Lamartine; Olavo, Teixeira, Agnaldo, De Maria e Pinheirão.

Em 1º de janeiro de 1926, o Ypiranga atuou diante do Paraybano Souza, em nossa cidade, derrotando-o por quatro tentos a zero, com esta formação: Lopes; Vicente e Zé Costa; Veras, Joel e Mozart; Nunes, Cantuária, Gentil, Joãozinho e Hilário.

Para o próximo domingo, será a vez de focalizarmos o Centro Sportivo Mossoroense.

Humaytá Football Club

Humaytá, o primeiro clube a ser fundado em nossa cidade.

Após o registro do surgimento do futebol na terra que tem como padroeira Santa Luzia, é chegado o momento de focalizar um pouco da memorável história do Humaytá Football Club, o “vovô” dos clubes esportivos de nossa cidade.

Observando a boa aceitação dada por ocasião da primeira disputa de um jogo de futebol em Mossoró-RN, coube aos remanescentes do escotismo a ideia de fundar o alviazulino, fato que concretizou-se na noite de 14 de outubro de 1919, tendo como local o Sítio Cantos, onde achava-se edificada a residência do Dr. Pedro Ciarlini. Portanto, por volta das 19h, à luz de lamparinas, surgiu o Humaytá, que decidiu manter as cores azul (calções) e branca (jaquetas), em homenagem às utilizadas pelos escoteiros, por ocasião da primeira apresentação, no campo da cadeia pública.

A denominação do clube deu-se por sugestão do Sr. Bonifácio Costa, em homenagem à grande batalha naval, por ocasião da guerra do Paraguai.

Portanto, os integrantes da Associação de Escoteiros, fundadores da agremiação, constituíram a sua primeira diretoria, a saber: presidente; padre Manoel da Costa; vice-presidente: Antônio Freire; secretário: Lauro da Escóssia; tesoureiro: José Hemétério; orador: Luiz de Albuquerque Pinto; diretor de Esportes: Sérgio Ciarlini.

A primeira onzena do “vovô” esteve desta maneira delineada: Gondim; Toni e Bitu; Carpentier, Zé Mota e Manoel Luz; Bidoca, Alfredo, Lauro, Villar e Luiz Pinto.

No dia 1º de outubro de 1922, coube ao Humaytá realizar a primeira partida de futebol interestadual, na cidade de Limoeiro do Norte-CE, convidado que foi por Esporte Clube Limoeirense, cujo placar ao final apontou a vitória mossoroense pelo escore de dois tentos a zero, gols assinalados por Nunes, cobrando uma penalidade máxima, e Moreno.

Observe a formação do alviazulino neste jogo: Leão; Joel e Lucylo, Odilon, Bitu e Quincas; Zezé, Carpentier, Moreno, Nunes e Costinha.

Já no dia 3 de janeiro de 1926, o Humaytá recebeu a visita do Paraibano Souza, clube bastante renomado na região nordestina. Final do clássico e nova vitória do alviceleste, desta feita pelo placar de cinco tentos a dois, gols de Moreno, Maciel (2), Pedrinho e Bidoca. O “vovô utilizou essa formação: Leão; Nacés e Neto; Álvaro, Alfredo e Amarinho; Reis, Maciel, Moreno, Pedrinho e Bidoca.

No próximo domingo será a vez de focalizarmos o Ypiranga Sport Club.

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