América Futebol Clube: Alvirrubro de tantas tradições

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Mais um clube de nossa capital comemora o seu centenário de existência, no caso o América Futebol Clube, daí a nossa homenagem a sua imensa nação de torcedores.

O alvirrubro teve a sua fundação no dia 14 de julho de 1915, tendo como local uma residência construída na Avenida Rio Branco, ocupada pela tradicional família Coelho.

Após os contatos iniciais, visando a criar um novo clube na nossa capital, coube ao sr. Manoel Coelho Filho, um dos residentes no referido local, participar da primeira diretoria do América, que teve como presidente o sr. Getúlio Soares, amazonense nadador do Centro Náutico.

A ideia do nome se deu em virtude do América carioca, clube de destaque, inclusive na conquista dos campeonatos de 1913 e 1916, que contava com um grande número de torcedores em Natal-RN. Daí a denominação, as cores vermelha e branca, a bandeira e, por fim, o escudo.

Na época, poucos atletas do clube recém-fundado dispunham de condições financeiras para a aquisição do material esportivo, bem como as mensalidades arrecadadas, não atendiam as despesas essenciais.

O benemérito do clube, sr. Aguinaldo Tinoco, tomou a iniciativa de arcar com os compromissos financeiros do alvirrubro. Integrou o plantel, na condição de zagueiro e destacado capitão, contagiando, a cada jogo, os demais companheiros, com a sua tenacidade e entusiasmo.

Outro benemérito de destaque foi o sr. Oestes Silva, que chegou inclusive a efetuar a doação do terreno onde atualmente acha-se construída a sede, na Rua Rodrigues Alves, em nossa capital.

Na sua fase inicial, o América realizava suas reuniões no quintal da residência do juiz Homem de Siqueira, localizada na Rua Vigário Bartolomeu, com saída para o Beco da Lama. Os filhos do mesmo, Carlos e Oscar, além de fundadores, eram atletas e baluartes do alvirrubro.

Com a dissolução da Liga Natalense de Futebol, no ano de 1925, os clubes a mesma filiados experimentaram um período de marasmo, todavia, um destacado atleta do América, Renato Guimarães Wanderley, enfrentou a crise, e a partir de 1926 começou a promover jogos fora de Natal-RN. Várias partidas foram realizadas nas cidades de Ceará-Mirim, Nova Cruz e Mossoró.

O primeiro jogo disputado de forma oficial pelo América no ano de 1916 foi marcado pelo sensacionalismo. Derrotou o Atheneu pelo placar de vinte e dois tentos a zero, cabendo ao ponta-direita Napoleão Soares assinalar nada menos que onze gols.

Para a próxima edição, a nossa homenagem ao Alecrim Futebol Clube, de nossa capital.

ABC Futebol Clube

ABC - 06.09.15

No ano em que comemora o seu primeiro centenário de existência, a coluna optou por homenagear o ABC Futebol Clube de nossa capital, relatando um pouco da sua gloriosa história.

A denominação ABC deve-se ao tratado envolvendo Argentina, Brasil e Chile, que tinha por finalidade maior a solução pacífica de controvérsias internacionais, cujo documento foi assinado em Buenos Aires, no ano de 1915.

Portanto, a ideia para o nome do clube a ser fundado foi abraçada pelos desportistas natalenses Avelino Freire Filho (Lili), José Paes Barreto, Eneas Reis (presidente da Associação dos Escoteiros de Mossoró, que havia transferido sua residência para Natal-RN), Solon Aranha (também desportista que residiu em nossa cidade), Manoel Avelino do Amaral, José Potiguar Pinheiro, Artur Veia e outros jovens que frequentavam o destacado bairro da Ribeira, que sequenciaram os contatos iniciais para a concretização do pleito.

A fundação do alvinegro natalense ocorreu na residência do Cel. Avelino Alves Freire, um grande chalé construído na avenida Rio Branco, na parte posterior do antigo Teatro Carlos Gomes, mais precisamente no dia 29 de junho do citado ano. Foi escolhido para presidir o ABC, João Emílio Freire, filho do proprietário da citada residência.

No aspecto financeiro, a nossa agremiação não alegou problemas para tocar a ideia, devido às adesões de comerciantes estabelecidos no bairro anteriormente mencionado. A própria torcida participava de forma decisiva na manutenção do elenco.

O formato da camisa, a princípio foi copiado do Botafogo de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro-RJ, com listras verticais, o que empolgou os torcedores do glorioso alvinegro da Rua General Severiano, que residiam na nossa capital.

Antes mesmo do início do primeiro campeonato municipal de futebol, o ABC realizou o histórico jogo interestadual diante do Santa Cruz de Recife, tendo como palco o antigo campo da praça Pedro Velho. A seguir, retribuiu a visita do clube pernambucano, viajando no vapor Cururupu, até a Veneza Brasileira.

O torcedor abecedista jamais esquece a participação do eterno presidente Vicente Farache, que costumava investir com recursos próprios, visando manter o alvinegro em posição de destaque no cenário esportivo do Rio Grande do Norte.

Na próxima edição, será a vez de focalizarmos o América natalense.

Nossos árbitros

Nossos áribitros - Orgulho e tradição na terra de Santa Luzia. Na imagem Diógenes Sales e Nehemias Cunha. (reprodução)

Nossos áribitros – Orgulho e tradição na terra de Santa Luzia. Na imagem Diógenes Sales e Nehemias Cunha. (reprodução)

Numa prova de completo reconhecimento a todos os árbitros que atuam nos certames realizados na nossa cidade, ao longo da sua existência, reservamos esta edição para fazer o registro de alguns, que ainda hoje são lembrados pelos desportistas locais.

De acordo com o registro da imprensa esportiva, afirmamos, sem a menor dúvida, que o primeiro árbitro a atuar no nosso futebol foi o senhor Enéas Reis, dirigente da Associação dos Escoteiros de Mossoró, que, no dia 14 de julho de 1918, arbitrou o jogo histórico envolvendo duas representações formadas por garotos, a saber: quadro Branco e quadro Negro.

Após o desenrolar da partida, o placar apontou um empate em um tento, tendo como palco a Praça Antônio Gomes, onde acha-se instalado o Museu Municipal Jornalista Lauro da Escóssia.

Sabemos ainda que a professora Celina Guimarães Viana foi a primeira árbitra a atuar em nossa cidade, e, por que não questionar, no país? Reuniu seus alunos do grupo escolar 30 de Setembro nas imediações da Rua Desembargador Dionísio Filgueira, defronte ao prédio atual da Faculdade de Enfermagem, e, portanto, um livro de regras de futebol, bem como o apito na boca, ministrou os primeiros ensinamentos sobre a referida modalidade esportiva.

Após o surgimento do futebol na terra de Santa Luzia, os clubes recém-fundados – Humaytá, Ypiranga, Centro Sportivo, Palmeiras e Santa Cruz experimentaram imensas dificuldades, no tocante a escolha dos árbitros responsáveis pela realização das partidas disputadas. Como a época, o respeito aos mais idosos era uma constante, a solução encontrada foi a indicação dos dirigentes dos citados clubes, para arbitrar os jogos. Assim sendo, pelo lado do Humaytá, atuaram como “referee” Alfredo Pinto, Francisco Mota, Jansen Nogueira, Joel Leite, Júlio Maciel, Luiz Pinto, dentre outros. Como dirigente do Ypiranga, Bonifácio Costa, Luiz Nines, Manoel Lopes e Santos Pereira. Já o professor Eliseu Viana era indicado como dirigente do Centro Sportivo. Por sua vez, cabia ao senhor Pedro Pereira a indicação do Mossoró Futebol Clube, para exercer a fundação de “sportaman”.

Com a evolução da prática esportiva, novos nomes foram surgindo, a exemplo de Maurício Lacerda de Assis, Alcides Henrique de Oliveira, Manoel Veras Leite, Joaquim da Silveira Borges, que sucedidos por Nehemias de Oliveira Cunha, Amaro Dantas Nogueira, Diógenes Sales de Oliveira, João Batista de Amorim, José de Sampaio Barros Neto, e tantos outros, souberam honrar a categoria, até os dias atuais.

Na próxima semana, um pouco da história do ABC F.C., de nossa capital.

Sociedade dos Cronistas Esportivos de Mossoró

A imprensa esportiva local teve sua origem através do jornal O Mossoroense, que registrou, desde o movimento para a fundação dos primeiros clubes da cidade, até os dias atuais, portanto, o precursor da divulgação do desporto na terra de Santa Luzia.

No que diz respeito à entidade que congregou a crônica esportiva local, ressalte=se a fundação no longínquo ano de 1953, da Associação dos Cronistas Esportivos de Mossoró (ACEM), que teve como seu primeiro presidente o professor João Batista Cascudo Rodrigues, comentaristas da Rádio Difusora de Mossoró, além de acadêmico do curso de Direito, em Maceió-AL.

A ACEM esteve à frente dos interesses dos seu filiados atá o dia 27 de maio de 1956, oportunidade em que foi sucedida pela Sociedade dos Cronistas Esportivos de Mossoró (SOCEM), tendo na sua presidência o inolvidável professor Manoel Leonardo Nogueira, ao lado dos confrades José Antônio da Costa, Francisco de Paula Brasil, José Genildo de Miranda, José Maria Martins de Almeida, Antônio Martins Sobrinho e Francisco Jerônimo Lobato, na condição de demais membros fundadores.

Com o retorno da prática do futebol em nossa cidade, no ano de 1960 (após pequena paralisação, no ano anterior), com a realização do Torneio Pentagonal Cid Augusto, as emissoras locais organizaram os seus departamentos de esporte, à época em que a cidade contava apenas com duas emissoras: Difusora e Tapuyo.

A ZYI 20 (Rádio Difusora) contava com esta equipe: Gim Borralho Boa Vista, José Maria Martins de Almeida, José Antônio da Costa, Gutemberg Borges Miranda, Luciano Pontes, Edmundo Alves de Assis (Assis Cabral), Romildo Eufrásio Nunes, José Arimatéia de Lima (José Ary).

Por sua vez, a “taba” Tapuyo (ZYI 24) atuava com os seguintes profissionais do esporte: Paulo Rufino, Emerson Azevedo, Francisco Lobato, professor Manoel Leonardo Logueira, professor João Batista Cascudo Rodrigues, Evaldo Dantas, Flávio Lima, José Jayme, Alfredo Pinheiro Filho, José Neto e Antônio Martins.

A partir de 23 de agosto de 1961, a SOCEM conseguiu fortalecer o seu quadro de associados e durante a sua existência contou com os seguintes presidentes: professor Manoel Leonardo Nogueira, José Antônio da Costa, Luciano Pontes, Hélio Lopes de Macedo, Edmundo Alves de Assis, Romildo Nunes, Ênio Campos, José Ary, Albecir Andrade, Olismar Lima, Antônio Martins Sobrinho e, por último, Raimundo Nonato da Silva, oportunidade em que entrou em recesso, não mais retornando até os dias atuais.

Para a próxima edição, abordaremos a respeito do surgimento do futebol de salão em nossa cidade.

Mossoró Esporte Clube

Mossoró Esporte Clube

Para esta edição registraremos um pouco da história do Mossoró Esporte Clube, atuando no Staduim Mossoró Limitada nos primeiros anos de existência do futebol na terra de Santa Luzia.

A fundação do referido deu-se em virtude da dissolução do Santa Cruz, fato registrado em 15 de março de 1922, e que teve a sua primeira diretoria formada pelos seguintes desportistas: presidente – João Minho de Oliveira; vice-presidente – Francisco Ludgero; secretário – Antônio Martins Soares; 2º secretário – Raimundo Nonato da Silva; tesoureiro – Raimundo Miranda; adjunto-tesoureiro – Miguel Cruz; diretor de esportes – Antônio de Souza; vice-diretor de esportes – Manoel Amorim; procurador – Luiz Duarte Ferreira.

A primeira formação do Mossoró foi esta: Rolleaux, Zé Dantas e Zé Canuto; Antônio Ayres e João Dantas; Seu Chico, Hemetério, Cossado, Xixita e Misturado.

A equipe era conhecida como o “Clan” dos Canutos; cujo patrono sempre foi o destacado desportista Miguel Canuto de Souza, proprietário de uma oficina de marcenaria, músico que remanescia dos dias das suas maiores bandas da cidade (Charanga e Fênix). Seus filhos, num total de onze, todos do sexo masculino, destacaram-se como atletas de futebol, a saber: Seu Chico, Seu Né, Hemetério, Migas, Raimundo, Genipo, Mário, Pedro, João, José e Geraldo. Heméterio Canuto foi o primeiro mossoroense a integrar o selecionado de futebol do nosso Estado, que tinha o apelido de “Os Fantasmas do Norte”, conseguindo memoráveis vitórias diante de clubes da Paraíba, Ceará e Pernambuco.

Em 1924, o Mossoró sagrou-se campeão da cidade, tendo convidado para colocação de faixas o América de nossa capital, cujo placar aponto o empate em dois tentos. O nosso representante atuou com o futebol de Rolleaux, Zé Dantas e Zé Canuto; Cangoteira, João Dantas e Chico Marques; Cossado, Migas, Hemetério, Xixita e Barnabé.

Na condição de beneméritos do Mossoró, podemos citar, além do desportista Manoel Canuto de Souza e toda sua família, Manoel Eufrásio de Oliveira, Eufrasino do Nascimento, João Mendonça Filho, Manoel Rodrigues das Chagas, Joaquim Ayres e Francisco Ludgero da Costa.

Após em recesso no nosso futebol, o Mossoró retornou no ano de 1996 para participar do Campeonato Estadual da temporada, e a seguir permaneceu participando tão somente dos eventos patrocinados pela Liga Desportiva Mossoroense (LDM), até os dias atuais.

Coronel Mílton Freire

A construção do Estádio Professor Manoel Leonardo Nogueira, principal praça de esportes de Mossoró, também merece registro na nossa coluna.

Tudo teve seu início após a constatação de que o Stadium da Limitada, cujo terreno foi doado pelo empresário Luiz Teotônio de Paula, e que serviu de local de disputa dos jogos realizados em Mossoró, no período de 1927 a início de 1967, não reunia as condições necessárias para utilização, através dos clubes filiados a Liga Desportiva Mossoroense (LDM).

Assim sendo, tendo como idealizador o professor Manoel Leonardo Nogueira, presidente da mentora, no período de 1956 a 1967, foi instituída a comissão pró-construção do novo estádio, e que teve a seguinte composição: Dr. Sebastião Maltez Fernandes (presidente), Dr. José Sueldo Câmara (vice-presidente), além dos seguintes desportistas: Dr. Francisco Fernandes de Medeiros, Francisco Freire Vasconcelos, José Genildo Miranda, Lenílton Moreira Maia, Odílio Pinto, Maurício Lacerda de Assis, subtenente da Polícia Militar, Aldemar Pereira de Melo, Zoívo Barbosa de Menezes e José Marinho dos Santos.

Após realização de vários festivais de prêmios (bingo, à época) e dotações orçamentárias oriundos da classe política e empresários, coube ao então prefeito do município, Dr. Antônio Rodrigues de Carvalho, acatando o pleito da comissão acima mencionada, devidamente autorizada pela Câmara Municipal, conforme lei nº 33/61, de 7 de dezembro de 1961, a doação do terreno localizado no lugar denominado “Genipapo”, zona urbana da cidade, medindo duzentos metros de frente, por duzentos de fundos, que serviu para a construção do “mundão” do Nova Betânia.

Por ocasião da assembleia da citada comissão para a escolha da denominação do estádio, foi sugerida à unanimidade o nome do Professor Manoel Leonardo Nogueira, que, de imediato, resistiu à ideia, tendo em vista a existência de vários outros desportistas merecedores da homenagem, inclusive dos membros que compunham a comissão. Foi então que sugeriram, dada a não aceitação proposta ao presidente da LDM, que a principal praça de esportes recebesse o nome de Leonardo Nogueira, genitor do mesmo, proposta que, após várias justificativas, convenceu finalmente o grande desportista.

Após inúmeras etapas, ocorreu a inauguração do estádio, no dia 4 de junho de 1967, com a presença do Ceará Sporting Club, da capital alencarina, que atuou diante do nosso selecionado, conseguindo a vitória pelo placar de dois tentos a zero, gols assinalados através de Mozart (gol histórico) e Marcos Boi.

No domingo vindouro, faremos o registro da imprensa esportiva local. Um forte abraço e até lá.

Sobre o F9

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